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2 meses

Polícia instaura inquérito para investigar queda de ônibus em MG

Ônibus caiu em Minas Gerais e deixou mortos e feridos - Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais
Ônibus caiu em Minas Gerais e deixou mortos e feridos Imagem: Divulgação/Corpo de Bombeiros de Minas Gerais

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

05/12/2020 09h11

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou ontem inquérito para investigar as causas da queda de um ônibus, de uma ponte, na BR-381, em João Monlevade, cidade da região central do estado. Ao menos 17 pessoas morreram no acidente. Outras 26 pessoas ficaram feridas.

A polícia informou que o inquérito foi instaurado momentos depois do acidente, que aconteceu por volta das 14h de ontem. A principal suspeita é de que tenha ocorrido uma falha mecânica nos freios, porque o Corpo de Bombeiros informou que o motorista gritou que perdeu a frenagem antes de se jogar do coletivo.

A causa, no entanto, só deve ser esclarecida com resultados das perícias, que podem levar 30 dias para ficar prontas. A altura da queda foi de aproximadamente 35 metros, em área próxima ao entroncamento com a BR-262, sobre a linha da Estrada de Ferro Vitória a Minas, e também próximo ao rio Piracicaba.

O veículo, que transportava 46 passageiros no momento da tragédia, saiu de Mata Grande (AL) e ia para São Paulo. A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) informou que a empresa JS Turismo é a dona do veículo e não tinha autorização para transportar passageiros.

O acidente

Mapa mostra local onde ônibus caiu de viaduto no interior de Minas - Reprodução/Google Arte/UOL - Reprodução/Google Arte/UOL
Mapa mostra local de onde ônibus caiu de viaduto no interior de Minas
Imagem: Reprodução/Google Arte/UOL

O porta-voz do Corpo de Bombeiros de MG, Pedro Aihara, afirmou que a corporação recebeu um chamado sobre o acidente por volta das 14h. De acordo com a corporação, o ônibus deixou Mata Grande às 9h de ontem e ia para São Paulo. Quando passava pela ponte, no sentido Belo Horizonte, o motorista perdeu o controle do veículo e colidiu com o retrovisor de um caminhão que estava no local.

Em seguida, testemunhas relataram que o motorista gritou que teria perdido os freios. O ônibus começou a voltar de marcha ré, bateu em uma proteção lateral da ponte e caiu de uma altura de 35 metros, segundo peritos da Polícia Civil. Ainda não há informações sobre a lista de passageiros.

Motorista pulou do ônibus antes da queda

A PRF-MG (Polícia Rodoviária Federal de Minas Gerais) informou que tenta localizar o motorista, que não consta entre as vítimas do acidente.

O UOL apurou que o condutor pulou do veículo antes da queda, fugiu do local e ainda não se apresentou à polícia. Outras seis pessoas também saltaram do ônibus, segundo os Bombeiros. Três delas foram levadas ao Hospital Margarida, enquanto as outras três não se feriram e não precisaram de acompanhamento hospitalar.

Em nota, a ANTT afirmou que a JS Turismo é cadastrada na agência e tem um Termo de Autorização para prestação de serviço regular concedido pela justiça, por liminar. No entanto, sem autorização para o transporte de passageiros.

O UOL procurou a JS Turismo, mas não conseguiu localizar nenhum representante da empresa. A reportagem também tentou contato com a empresa Loca Lima, que tem o nome estampado na lateral do veículo e não teve retorno.

'Rodovia da morte'

A BR 381 é conhecida como "rodovia da morte" pela quantidade de acidentes e mortes que ocorrem na área.

"É uma das rodovias que apresentam maiores números de óbitos em toda análise do contexto brasileiro, até por ser muito utilizada por todos os estados. Essa rodovia apresenta trechos com pista simples e com pontes e curvas perigosas. Todo trajeto da pista tem postura perigosa dos motoristas e acaba gerando muitos acidentes", disse o porta-voz dos Bombeiros, em entrevista à CNN.

Já o chefe da comunicação da PRF-MG, Aristides Júnior, disse que apesar da fama da rodovia, o local onde houve a queda do ônibus não fica em uma área com histórico de acidentes: "Não se trata de ocorrência que ocorre com grande frequência no local", afirmou à Globonews.

Procurado pelo UOL, o Ministério da Infraestrutura disse ter entregado, desde 2019, 49,7 quilômetros de pistas duplicadas na BR-381, além de obras, como pontes, viadutos, túneis e passarelas para travessia de pedestres. No entanto, a pasta não se pronunciou sobre uma data concreta para realização de obras no trecho em que ocorreu o acidente.

"O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) é responsável por 4 de um total de 11 lotes das obras de duplicação e melhoramentos na BR-381/MG, ao longo 303 quilômetros entre os municípios de Belo Horizonte (MG) e Governador Valadares (MG)", afirmou a pasta em nota.

Zema se solidariza com famílias de vítimas

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou em rede social estar "estarrecido" com o ocorrido e afirmou que todo o aparato do governo de Minas foi colocado à disposição das vítimas. Em entrevista à Globonews, ele afirmou que a BR-381 deveria ter sido duplicada há pelo menos 30 anos.

Vale paralisa atividade de trem e diz auxiliar em resgates

A Vale paralisou a atividade em um trecho da linha férrea na altura do acidente após o ônibus ficar sobre a linha. Em nota, a mineradora afirmou que está auxiliando no atendimento às vítimas.

O trem de passageiros que teve o curso interrompido liga Cariacica (ES), na região metropolitana de Vitória, a Belo Horizonte. Um trem adicional faz o trajeto entre Itabira e Nova Era, cidades próximas a João Monlevade.

"A Vale lamenta o acidente envolvendo ônibus de turismo em João Monlevade (MG), na tarde desta sexta-feira (4/12). A empresa colocou à disposição as suas equipes para apoiar as ações de resgate e atendimento às vítimas. A empresa paralisou a operação ferroviária no local e avalia alternativas para a viagem do trem de passageiros que está em curso no sentido Espírito Santo a Belo Horizonte", diz a nota.

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