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8 meses

AM: Justiça determina fechamento de atividades não essenciais por 15 dias

10.jun.2020 - Movimentação na rua Marechal Deodoro no centro de Manaus (AM) - EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
10.jun.2020 - Movimentação na rua Marechal Deodoro no centro de Manaus (AM) Imagem: EDMAR BARROS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Bruna Chagas

Colaboração para o UOL, em Manaus

03/01/2021 10h02Atualizada em 03/01/2021 14h04

A pedido do MP-AM (Ministério Público do Amazonas), o TJAM (Tribunal de Justiça) determinou, na tarde de ontem, que o governo do estado suspenda as atividades consideradas não essenciais pelo prazo de 15 dias e adote medidas de contenção de aglomeração social nos estabelecimentos essenciais. As medidas visam conter o avanço da covid-19.

O Poder Judiciário determinou ainda que, após o prazo de 15 dias, as decisões administrativas para liberação do convívio social sejam respaldadas na Avaliação de Riscos apresentada pela Fundação de Vigilância em Saúde, além do dever de dar ampla publicidade às filas de espera de pacientes que aguardam por internação em leito covid, clínico e de UTI.

O estado do Amazonas registrou mais de 5.300 mortes e 201 mil casos confirmados de covid-19. Ao todo 82.811 casos são de Manaus (41,02%) e 119.056 do interior do estado (58,98%).

Os estabelecimentos com serviços essenciais, como padarias, supermercados, farmácias, vendas de gás, água e hotéis continuam abertos.

Para o Procurador-Geral de Justiça Alberto Nascimento, o "Ministério Público mais uma vez vem prestar contas à sociedade, na medida em que cumpre com o dever legal de defender os interesses de todos, o que vem fazendo longo da pandemia". Segundo ele, "foi por atuação do Ministério Público que se concretizou a ampliação dos leitos no Hospital Delphina Aziz, fornecimento de EPIs aos profissionais da saúde, a transparência dos dados covid de acesso ao público, monitoramento das verbas covid, além do trabalho feito na atenção primária, de competência do município".

Na decisão, o juiz Leoney Figliuolo Harraquian prevê até mesmo o uso de força policial para "preservar a ordem pública". Além disso, o governo ainda deve fazer um pronunciamento diário nos meios de comunicação para explicar as medidas à população.

O documento elenca ainda como medidas a instalação de novos leitos de UTI covid-19 em quantidade suficiente para atender os pacientes, inclusive os que estão na lista de espera.

O não cumprimento da decisão implica multa de R$ 50 mil diários a ser aplicada à pessoa do governador do estado. A liminar determina que os órgãos de Saúde e a Polícia Militar do estado sejam os responsáveis pelo efetivo cumprimento da decisão.

A reportagem procurou a assessoria do governo, que enviou a seguinte resposta: "O Governo do Estado ainda não foi notificado. Quando isso ocorrer, irá reunir os órgãos que compõem o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 para analisar o documento e determinar os procedimentos cabíveis".

Segundo decreto do governo, as atividades não essenciais são: bares, restaurantes, lanchonetes e lojas de conveniência; comércios que não são essenciais funcionarão por drive-thru e delivery até às 21h; os shoppings devem funcionar também no sistema delivery e drive-thru. Eventos, casamentos e formaturas estão proibidos.

Confira, na íntegra, a decisão da Justiça e a Ação Civil Pública movida pelo MP-AM.

Reflexo da pandemia

O governador Wilson Lima chegou a endurecer as regras de abertura de comércio no fim do ano. Mas voltou atrás após protestos de comerciantes, empresários e trabalhadores no centro da capital Manaus no dia 26 de dezembro.

A rede de saúde do Amazonas está sendo reconfigurada para enfrentar a pandemia, prevendo até o uso de maternidades para tratar os pacientes na próxima semana. Essa ação gerou protestos do Sindicato dos Médicos do Amazonas.

As câmaras frigoríficas voltaram a ser instaladas nos hospitais. Elas foram usadas para armazenar os corpos de mortos durante o primeiro pico da doença.

A Prefeitura de Manaus preparou novas áreas em cemitérios para enterrar os mortos vítimas da doença. A média de enterros diários na cidade aumentou de setembro até agora, passando de 30 para 45 sepultamentos.

Entre pacientes em Manaus, há o registro de 3.412 óbitos confirmados em decorrência da doença. No interior, são 61 municípios com mortes confirmadas até o momento, totalizando 1.913. De acordo com os últimos dados do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, o estado é um dos oito no país com alta no número de mortes na comparação de 14 dias, com aceleração de 81%.

Recorde de hospitalizados em Manaus

Manaus vivia o pico da pandemia, com colapsos no sistema de saúde e funerário, quando registrou mais de 100 internações pela doença no dia 4 de maio. Naquele dia, segundo os órgãos oficiais de saúde, foram 105 internações.

No dia 27 de dezembro de 2020, a capital já havia registrado um recorde dos últimos 7 meses de novos hospitalizados com covid-19: foram 88 novos registros de pessoas internadas.

Com o número, o governo do Amazonas informou que a taxa de ocupação do hospital referência para tratamento da doença, Hospital Delphina Aziz, se aproxima de 100%.

Dos 11 hospitais particulares em Manaus, sete já não têm mais vaga nas UTIs, ou seja, mais da metade. A informação foi divulgada pelo governo do estado na segunda-feira (28), após reunião do comitê de enfrentamento à covid-19.

A capital amazonense registrou ainda um aumento de 28,9% no número de internações por covid-19 em dezembro. Nos primeiros 26 dias de dezembro, foram mais 884 pessoas hospitalizadas com a doença. No mesmo período de novembro, o número de novos internados foi de 686 - chegando ao total de 805 no 30º dia do mês.

Os dados são do boletim epidìemiológico divulgado pela FVS-AM (Fundação de Vigilância e Saúde).

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