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'Pais estão acabados': família se diz em choque com morte de casal na BA

Alexandre Santos

Colaboração para o UOL, em Salvador (BA)

12/01/2021 04h00

Familiares e amigos de Elton Gonçalves Campelo, 35, e Isabela Araújo Valença, 33, se dizem chocados com as circunstâncias da morte do casal, cujos corpos foram encontrados na tarde de domingo (10) em um apartamento no bairro do Horto Florestal, área nobre de Salvador. Segundo a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que Isabela atirou na cabeça do empresário.

Ela teria usado a pistola do namorado — que tinha autorização para porte de arma de fogo, de acordo com a 1ª DH (Delegacia de Homicídios), que investiga o caso. Elton foi alvejado dentro do quarto. Em seguida, Isabela se dirigiu para o banheiro, onde tirou a própria vida, indica o inquérito.

O casal passava férias na capital baiana. Elton morava em Juazeiro, enquanto Isabela vivia na cidade vizinha de Petrolina (PE). Pessoas próximas aos dois disseram que eles namoravam há pelo menos dois anos e demonstravam ter um relacionamento tranquilo.

O palco da tragédia foi o edifício Terrazzo Imperiale, no apartamento dos pais de Elton, o também empresário Gladston Campelo e a decoradora Elza Campelo. No momento do crime, pai e mãe estavam em outro cômodo do imóvel.

"Pais estão acabados"

Os pais dela "estão acabados", relataram ao UOL Celina Reis Cavalcanti, 70, e Carlos Cavalcanti, 68, padrinhos de Isabela. "Nós conversamos com os compadres, eles não conseguem entender. Acho que ninguém vai conseguir entender. É uma dor muito forte. Infelizmente, não tem o que fazer. Agora é só rezar e pedir para que eles sejam acolhidos. Foi uma tragédia para todos", descreve Celina, que atualmente reside com Carlos nos Estados Unidos.

Muito abalado, o casal que hoje vive em solo americano diz que batizou Isabela quando ela ainda era uma garotinha, em Petrolina. "Ela era recém-nascida, tinha dias. Nós somos amigos da família da avó dela, e a mãe e o pai são nossos melhores amigos. A ficha ainda não caiu", lamenta Carlos.

Ao descrever a afilhada como uma pessoa "doce, serena e calma" e Elton como um rapaz de boa reputação, ele diz acreditar que a verdade "morreu com eles".

"O namoro era bem quisto pelas duas famílias. O pai gostava muito do rapaz. Acredito que o outro lado também gostava dela. Falam em três anos, mas isso [o relacionamento] começou há mais tempo".

De acordo com o padrinho, ultimamente Isabela ajudava o pai a administrar suas empresas no ramo do agronegócio.

Mensagem de Natal

Para Celina, embora fosse uma menina muito calada, Isabela era ao mesmo tempo uma pessoa família e próxima de todos.

"A casa dela está recheada de amigas, ninguém entende. Nós não entendemos. Nós estamos de longe acabados. Infelizmente, nós não podemos ir [apoiar os pais da vítima] por causa da pandemia. Mas, sinceramente, é algo que não dá para entender. Elton também é filho de pessoas conhecidas, pessoas direitas, honestas. Isso é um grande choque", diz.

Sem ver a afilhada há pelo menos dois anos, Celina diz que, quando estava em viagem ao Brasil, Isabela a tratava com total atenção. "Todas as vezes que eu chegava em Petrolina, ela era minha motorista particular, me levava para todos os cantos, me emprestava o carro dela. Era uma pessoa muito prestativa e muito carinhosa comigo, muito amável. Por isso dói tanto."

Emocionada, Celina lembra da última vez em que falou com Isabela, há poucos dias. "Ela me mandou uma mensagem de Natal, e eu respondi. Ela me mandou uma foto do casal. Eu pedi que ela marcasse logo o casamento porque eu queria estar presente. Foi uma brincadeira, ela só deu risada e ficou por isso mesmo", narrou.

"Você pode rodar Petrolina inteira que você não vai encontrar ninguém que fale mal dela. Nem dela nem da família", diz Celina.

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