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Prefeitura de Campinas e MP abrem investigações sobre menino em barril

Menino era mantido em barril, amarrado, e com tampo fechado por pedra de mármore - Divulgação/Polícia Militar de Campinas
Menino era mantido em barril, amarrado, e com tampo fechado por pedra de mármore Imagem: Divulgação/Polícia Militar de Campinas

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

01/02/2021 14h50

O Ministério Público e a Prefeitura de Campinas abriram dois processos de investigação para apurar falhas na condução do caso do menino de 11 anos encontrado no sábado (3) dentro de um barril no Jardim Itatiaia. Segundo os órgãos, houve falhas importantes de entidades públicas responsáveis por avaliar as condições físicas e psicológicas do garoto.

O procedimento do MP foi instaurado pela promotora da Infância e Juventude Andrea Santos Souza. Ela ainda não dará entrevistas sobre o caso até ter todas as informações pertinentes, mas a reportagem apurou que o objetivo do MP é ver até que ponto órgãos ligados à Prefeitura, como o Caps (Centro de Atenção Psicossocial), o Creas (Centro de Referência da Assistência Social) e o próprio Conselho Tutelar sabiam da situação do garoto, e quais foram as condutas adotadas com a família

A Promotoria vai apurar também o comportamento da família e se alguma medida de proteção à criança foi pedida nesses últimos meses.

Hoje, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) afirmou ter dado 24 horas para que todos os órgãos e secretarias correspondentes entregassem um relatório sobre a assistência dada à família.

"Como pai, estou chocado e indignado. Desde ontem tive conversas com as secretarias e pedi relatório para ter noção do que aconteceu nos últimos dias e meses, além de abrir um processo de investigação. Quero saber quando essa criança foi acompanhada. Essa criança foi atendida por órgãos e quero saber o que aconteceu", explicou.

O Conselho Tutelar confirmou que a criança era assistida há pelo menos um ano e que o órgão sabia que a situação familiar não era a ideal, mas diz que desconhecia o ato extremo.

"Tínhamos conhecimento da vulnerabilidade da família, e por isso havia uma rede de apoio acompanhando, serviço social e saúde. Em nenhum momento os relatórios enviados apontavam para uma situação como essa", explicou o conselheiro tutelar Moisés Sesion.

Cascas de frutas e fubá cru

A Polícia Civil informou hoje que o garoto estava há pelo menos um mês dentro do barril — ele já havia informado que havia visto o réveillon pelo buraco de uma parede, e que se alimentava com cascas de frutas (especialmente banana) e fubá cru.

Em depoimento, o pai informou aos policiais que o filho era agressivo, agitado e fugia de casa, e que o motivo de tê-lo colocado no barril é para "educá-lo". O garoto permanece internado no Hospital Ouro Verde, em Campinas.

Segundo a equipe médica, quando internado, no sábado, pesava 27kg, em situação de extrema desnutrição. O peso atual não foi divulgado, mas o estado de saúde dele é considerado "bom e em evolução".

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