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Mãe de Isabella Nardoni envia mensagem de apoio ao pai de Henry Borel

Isabella Nardoni, com a mãe Ana Carolina Oliveira - Reprodução
Isabella Nardoni, com a mãe Ana Carolina Oliveira Imagem: Reprodução

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/04/2021 11h37

Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, perdeu a filha há treze anos e sentiu a história se repetir ao assistir as notícias do caso de Henry Borel, morto em março. Ao Globo, a administradora afirmou que enviou uma mensagem à Leniel Borel, pai da criança, para demonstrar solidariedade.

"É difícil não ter acompanhado o caso, não ter visto a proporção das coisas nos últimos dias, a crueldade. Por diversos momentos, me senti de novo na mesma situação que ele. Sei que, quando recebemos uma mensagem de apoio de uma pessoa que passou por algo semelhante, dá um conforto. E também sei que nada, absolutamente nada, vai mudar a tristeza desse pai, mas podemos oferecer ao menos um alento para seu coração", contou.

Ana Carolina disse desejar que a "Justiça seja feita" e afirmou que acha que a vida de Isabella e Henry tinham um propósito. "Falei que eu estava do lado dele e que ele precisa ter forças porque tenho certeza, depois de tudo que vivi, que nossos filhos tinham um propósito de vida, tinham mensagens a deixar para o mundo. Nós achamos que tamanha crueldade, tamanha comoção não são à toa."

A mãe perdeu a filha de 5 anos em março de 2008. Isabella foi encontrada morta no térreo do edifício London, na Zona Norte de São Paulo, após cair de um apartamento no sexto andar. O pai, Alexandre Nardoni, e a madastra, Anna Carolina Jatobá, foram condenados pela morte da criança.

"No meu caso, passei três meses consecutivos com minha história estampada em todos os jornais, sem parar, com um fato novo a cada dia. E sei o quão torturante é isso. A imprensa nos ajuda muito com o desenrolar da verdade e também a pressionar para que as descobertas levem ao um desfecho, mas é muito difícil toda essa exposição", comentou a mãe.

A administradora ainda mencionou que até agora, "os fatos ainda estão vindo à tona e há muitas descobertas sendo feitas".

"Muitas pessoas estão comparando nossos casos, por se tratar de uma família, de um casal, de criança com idade próxima, além da repetição do grau de crueldade e de supostas mentiras. Mas o que me choca é ver, de novo, quem deveria cuidar, zelar, dar amor e atenção, não fazer isso. O dia em que eu realmente consegui me inteirar do caso, doeu muito meu coração. É uma mistura de tristeza e de raiva ao ver tamanha dissimulação. Um sentimento que não dá para explicar."

Ana Carolina diz que as lembranças ao lado da filha ainda são muito presentes e que retomá-las é algo muito doloroso. "É terrível lembrar o tempo inteiro: 'Quando eu estava com a minha filha, naquele dia?' justamente porque percebemos o tamanho da monstruosidade que aconteceu. E é o que o Leniel está passando agora."

A administradora também disse ter passado por um processo de "reconstrução" após o crime. Hoje, ela é casada há sete anos e tem dois filhos. "Durante todo esse tempo, eu me cuidei, eu me tratei psicologicamente e, principalmente, me permiti viver todas essas situações."

Henry Borel foi morto no dia 8 de março. A mãe da criança, Monique Medeiros, e o padrasto, o vereador Dr. Jairinho (sem partido), foram presos na última quinta (8) por atrapalhar investigações e ameaçar testemunhas. Eles são suspeitos do crime e podem responder por homicídio duplamente qualificado.

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