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Professora relata ataque racista e sexista em evento de universidade de SP

Episódio aconteceu em evento virtual da Unicamp no final de março, mas ganhou atenção agora após relato de Katiúscia Ribeiro  - Reprodução/Facebook
Episódio aconteceu em evento virtual da Unicamp no final de março, mas ganhou atenção agora após relato de Katiúscia Ribeiro Imagem: Reprodução/Facebook

Simone Machado

Colaboração para o UOL, de São José do Rio Preto

23/04/2021 15h49Atualizada em 23/04/2021 15h52

A professora de filosofia Katiúscia Ribeiro relatou ter sofrido ataques racistas e sexistas durante uma palestra on-line organizada pelo Centro Acadêmico de Filosofia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O episódio teria ocorrido no dia 24 de março, mas ganhou repercussão apenas esta semana, após a docente decidir expor a situação nas redes sociais.

A professora, que mora no Rio de Janeiro, relata que foi convidada para participar do evento virtual de abertura do ano letivo, de recepção dos novos estudantes do curso de filosofia.

Durante sua participação em uma mesa de discussão sobre o tema "A filosofia africana e o racismo estrutural" dezenas de pessoas teriam invadido a sala de debate e passado a fazer ataques.

"Eu já estava há quase 30 minutos expondo sobre o assunto e no momento em que falei de violência estrutural várias câmeras começaram a abrir e passaram a entrar imagens de mulheres nuas sendo abusadas sexualmente, cenas de violência contra as mulheres e começaram os xingamentos. Essas pessoas diziam que eu não tinha que estar ali, que lugar de mulher é na cozinha, que mulher precisa ser estuprada, além de muitos xingamentos", relatou a professora ao UOL.

Ainda segundo Katiúscia outros debates aconteciam simultaneamente, mas a sala de transmissão em que ela estava foi a única a ser invadida durante o evento.

Após o episódio, a sala virtual foi fechada e uma nova, restrita apenas aos alunos, foi aberta.

"No início tentamos argumentar com essas pessoas, mas elas não ouviam e as agressões verbais foram tomando proporções maiores. Rapidamente derrubamos a sala e logo abrimos uma outra privada. A única mesa que falava sobre as questões sociais e tinha uma mulher negra apresentando foi atacada. Na ocasião minha mãe estava assistindo e ficou apavorada, porque foi um grau de violência muito grande, ficamos com medo" acrescenta a docente.

A professora de filosofia afirma que decidiu falar sobre o assunto apenas essa semana porque estava aguardando a Unicamp se manifestar sobre o episódio.

"Para mim foi um impacto muito grande, fiquei muito assustada e tentando entender. Naquele momento eu decidi não me manifestar e aguardei a faculdade se posicionar sobre o caso", explica Katiúscia.

A Direção do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade e a chefia do Departamento de Filosofia se manifestaram sobre o assunto. Em nota, a entidade se solidarizou com a professora e repudiou os ataques.

"Não é o primeiro ataque que sofremos, e provavelmente não será o último. O Instituto de Filosofia e Ciências Humanas reafirma sua vocação democrática e inclusiva e seu compromisso com a promoção da justiça e da igualdade social, racial e de gênero".

Ontem a reitoria da Unicamp também publicou uma nota de repúdio aos ataques sofridos pela professora e lamentou o ocorrido.

"É lamentável e inadmissível que a Universidade Estadual de Campinas seja palco de manifestações de ignorância, intolerância e preconceitos de qualquer natureza. A Universidade tomará providências para aumentar o grau de segurança da rede interna, de maneira a coibir todo tipo de ataque indevido nas atividades remotas realizadas no seu âmbito" afirmou um trecho do comunicado.

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