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Militares viram réus por mensagens homofóbicas sobre beijos em festa da PM

Os beijos aconteceram em janeiro do ano passado na formatura de soldados da Polícia Militar em Brasília - Arquivo pessoal
Os beijos aconteceram em janeiro do ano passado na formatura de soldados da Polícia Militar em Brasília Imagem: Arquivo pessoal

Nathalia Zôrzo

Colaboração para o UOL, em Brasília

13/05/2021 10h50

Onze pessoas, entre elas seis policiais militares e um bombeiro, viraram réus por crime de homofobia contra dois PMs que publicaram uma foto nas redes sociais beijando seus companheiros. A foto dos beijos foi tirada durante uma formatura de soldados da Polícia Militar, em Brasília, em janeiro do ano passado.

Uma das vítimas dos ataques foi o policial Henrique Harrison. Ele contou ao UOL que logo após publicar a imagem, começou a ser bombardeado com os comentários preconceituosos.

Eu não precisei ir longe. A maioria chegava via notificação pelo meu Instagram mesmo, durante a formatura"

whatsapp - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Coronel da Polícia Militar levou assunto a um dos grupos de Whatsapp da corporação
Imagem: Arquivo pessoal

Os ataques tomaram uma proporção ainda maior depois que o coronel da Polícia Militar na época resolveu levar o assunto a um dos grupos de Whatsapp da corporação. Henrique estava no grupo e leu todos os comentários.

Um deles dizia que o caso era "uma afronta geral para os militares", outro dizia que tinha sido "exposto ao ridículo", além de agressões como "esses aí não tem moral nem para catar cocô de cachorro, imagina fazer abordagens", como conta Henrique.

Depois que o coronel divulgou nos grupos de Whatsapp, piorou muito, porque ele incentivou grande parte da tropa a fazer o mesmo. Eu vi em grupos todos falando muito mal de mim e do meu companheiro à época. Da simbologia que aquilo representou. Me chamando de criminoso. Ele deu voz a uma parcela machista da corporação que não foi pequena"

fotos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fotos se espalharam por grupos de whatsapp
Imagem: Arquivo pessoal

O Ministério Público do Distrito Federal reuniu todo o conteúdo, identificou e denunciou 11 pessoas por "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, origem, condição de pessoa idosa ou com deficiência, gênero, sexo, orientação sexual ou identidade de gênero".

Como o crime foi cometido pelas redes sociais, a pena prevista é de dois a cinco anos de reclusão e multa. O órgão também quer que os acusados paguem indenização por danos morais às quatro vítimas.

Em nota, o Corpo de Bombeiros informou ao UOL que ainda não foi notificado oficialmente sobre a denúncia, mas disse que o bombeiro militar acusado é da reserva remunerada e poderá responder criminalmente. A corporação informou ainda que o caso será encaminhado à corregedoria.

A Polícia Militar afirmou apenas que cumprirá todas as decisões judiciais.

Hoje eu me sinto muito esperançoso e feliz por essa luta gigante da comunidade LGBT, que nada mais é do que por igualdade. As pessoas têm que entender que a internet não é um local sem lei. A gente merece respeito"
Henrique

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