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Jacarezinho: Sandra Sapatão já ofereceu R$ 1 milhão a PMs por liberdade

21.mai.2021 - Sandra Sapatão momentos após ser presa em praia de Saquarema (RJ) - Divulgação/Polícia Civil
21.mai.2021 - Sandra Sapatão momentos após ser presa em praia de Saquarema (RJ) Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

22/05/2021 04h00

Sandra Helena Ferreira Gabriel, 54, presa ontem na cidade de Saquarema, na Região dos Lagos (RJ), pela Dcod (Delegacia de Combate às Drogas), é apontada como uma das chefes do tráfico de drogas no Jacarezinho, favela da zona norte do Rio, juntamente com Felipe Ferreira Manoel, conhecido como Fred, e Adriano Souza de Freitas, o Chico Bento —ambos estão foragidos.

Segundo a Polícia Civil, os três integram o CV (Comando Vermelho) e eram alvos da operação que terminou com 28 mortos na favela —ela não estava no Jacarezinho no dia da ação, segundo a polícia. Com um histórico de prisões e ofertas de propina a policiais, Sandra Sapatão, como é conhecida, era procurada havia mais de dois anos e tinha três mandados de prisão em aberto.

Ela é suspeita de ter participado de um confronto que terminou com a morte do PM Michel de Limão Galvão, 32, durante operação no Jacarezinho em 2017.

O Disque Denúncia oferecia R$ 1.600 para quem desse informações que levassem à prisão dela.

Sandra foi presa ontem na praia do Boqueirão, enquanto tomava sol, segundo informou a polícia.

A captura ocorreu através de um trabalho de inteligência da Polícia Civil feito com auxílio de informações obtidas nos celulares apreendidos na operação do Jacarezinho.

R$ 1 milhão a PMs em troca de liberdade

Em 2007, Sandra figurou na lista dos dez bandidos mais procurados do estado. Ela foi presa em 2010 em uma megaoperação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio.

Sandra foi presa com Marcus Vinícius da Silva, o Lambari, e Emerson Siqueira Rosa, conhecido como Neguinho.

Cartaz do Disque Denúncia de Sandra Sapatão - Divulgação/Polícia Civil - Divulgação/Polícia Civil
Cartaz do Disque Denúncia
Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Segundo despacho da 40ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio, Sandra chegou a oferecer R$ 1 milhão a policiais militares em troca da liberdade deles. Segundo investigações, o trio chefiava as bocas de fumo do Jacarezinho.

Em 2010, ela era a única mulher presa no presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS). Por ser mulher em um ambiente majoritariamente masculino, recebia tratamento especial e ficava separada dos homens.

Ela deixou o sistema carcerário em 2014, após ser beneficiada com liberdade provisória, mas não retornou e foi considerada foragida. No mesmo ano, foi presa novamente. Dessa vez, no Jacarezinho.

Na época, a polícia fez um cerco à traficante que tentou fugir na garupa de uma moto. Na ocasião, ela ofereceu R$ 20 mil aos policiais para que a deixassem fugir.

Após cumprir quase dois anos de pena, Sandra voltou às ruas e passou novamente a ser considerada foragida --contra ela havia um mandado de prisão, expedido em julho de 2019, pelo crime de homicídio qualificado, associação para o tráfico e tráfico de drogas.

Operação mais letal do RJ

Como revelou o UOL, a ação no Jacarezinho foi a mais letal da história do Rio de Janeiro, com um total de 28 mortos —27 moradores da comunidade e um policial civil.

Agentes de diversas delegacias da Polícia Civil foram à comunidade cumprir 21 mandados de prisão contra suspeitos de participar do tráfico de drogas no Jacarezinho.

Contudo, apenas apenas três dos alvos foram presos na ocasião. Outros três acabaram mortos, segundo a relação de vítimas divulgada pela Polícia Civil.

Ontem, o ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), criticou a operação no Jacarezinho, dizendo haver indícios de que "não houve o devido planejamento" e que ocorreu uso abusivo da força no processo.

Ele é relator da ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, que discute a letalidade policial no Rio. Em junho, o ministro restringiu as operações policiais em comunidades do estado a situações excepcionais, tendo em vista a pandemia de covid-19. A decisão foi referendada pelo plenário do Supremo.

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