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MA decide não afastar agentes por morte de jovem que deu boa sorte a Lázaro

Ana Maria faz selfie com o filho, Hamilton César Lima Bandeira, e o pai dela, Plácido Ribeiro, de 99 anos - Arquivo pessoal
Ana Maria faz selfie com o filho, Hamilton César Lima Bandeira, e o pai dela, Plácido Ribeiro, de 99 anos Imagem: Arquivo pessoal

Rafael Souza

Colaboração para o UOL, em São Luís

23/06/2021 17h21

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão voltou atrás e decidiu não afastar os policiais civis que mataram o jovem Hamilton Cesar Lima Bandeira, 23. Ele tinha transtornos mentais e foi baleado dentro de sua própria casa em Presidente Dutra (MA), na última sexta (18).

O afastamento tinha sido anunciado na segunda (21). Ontem, em entrevista à TV Mirante, no entanto, o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, afirmou que não iria afastar os agentes por falta de elementos e que deixaria seguir as investigações.

"Não há elemento para dizer isso. O assassinato, tecnicamente, isso não está demonstrado. Isso será demonstrado dentro do inquérito policial, se houve ou não. Se houve, eles responderão dentro das normas legais. Se não houve, terão os permissíveis da lei para o ato que praticaram. Isto é definido dentro do inquérito policial, não há um juízo que mostre antecipadamente que eles cometeram crimes e que sejam afastados das suas atividades", disse Portela.

portela - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela
Imagem: Reprodução/Facebook
Lima Bandeira era estudante do ensino médio e, segundo a família, tem transtornos mentais desde criança. Na semana passada, o jovem fez uma postagem nas redes sociais desejando "boa sorte" a Lázaro Barbosa, procurado há 15 dias em Goiás por assassinar uma família em Ceilândia (DF) e outros crimes.

Por apologia ao crime, três policiais foram até a casa do jovem e atiraram nele. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

Segundo o delegado César Ferro, Lima Bandeira tinha feito ameaças aos policiais com uma faca, mas a versão é contestada pelos familiares, inclusive o avô Plácido Ribeiro, 99, que também estava na casa. A arma não foi apresentada.

"Eles perguntaram quem estava na casa, e eu disse que era eu e o Hamilton. Foi quando eles [policiais] entraram. O Hamilton levantou da cama, segurou na cortina e foi olhar. Aí eles atiraram", contou o avô ao UOL.

O Ministério Público do Maranhão acompanha o caso. Ao UOL, o promotor Clodoaldo Araújo afirmou que os familiares ainda não foram ouvidos no inquérito.

Araújo vai pedir a reconstituição do crime e a exumação do corpo de Lima Bandeira. O enterro foi realizado sem que fosse feita uma necropsia, que poderia determinar quantos disparos foram efetuados e a causa da morte.

A mãe do jovem, Ana Maria, afirmou que foram três tiros. Já a polícia diz que foram dois disparos, um na perna e outro no abdômen.

"Esse pedido [de necropsia] será feito pelo delegado e a reconstituição será feita depois do exame do cadáver feito pelo IML [Instituto Médico Legal]. No momento, os policiais estão colhendo depoimentos, fazendo a perícia no local do fato e buscando o celular da vítima para perícia", contou o promotor.

No atual inquérito, o comando das investigações foi designado a policiais de São Luís ligados ao Departamento de Homicídios e à Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção, especializada em crimes cometidos por agentes públicos.

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