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Conteúdo publicado há
1 mês

Entregadora relata agressão ao se recusar a subir a apartamento de cliente

Heloísa Barrense

Do UOL, em São Paulo

28/10/2021 12h10Atualizada em 28/10/2021 22h47

A entregadora Josimary de França, de 29 anos, relatou ter sido agredida por um cliente em um prédio no bairro Barra Funda, em Guarujá, litoral de São Paulo, ao se recusar a subir até o apartamento do homem para realizar a entrega. Segundo ela, a negativa ao pedido foi por falta de local para estacionar na rua.

"O porteiro disse que ele havia pedido para eu subir, mas eu disse para ele que, se ele pudesse descer, eu agradeceria. Todo mundo sabe que é proibido estacionar a moto na calçada", contou ela ao UOL, sobre o incidente que aconteceu por volta das 17h de terça-feira (26).

Ao encontrar com o cliente, que segundo ela aparentava ter 60 anos, Josimary foi questionada: "Manda ou obedece?". Ela chegou a brincar com o homem afirmando que obedecia, já que era funcionária.

Eu até disse: 'manda quem pode, obedece quem tem juízo', em um tom de brincadeira, mas ele começou a me xingar, falando que ali era ele quem mandava. Eu fiquei quieta e mantive o profissionalismo, digitei o valor na maquininha, perguntei se era crédito ou débito e, quando ele devolveu o aparelho, jogou em cima de mim.

Josimary afirma que se machucou com o impacto do aparelho nos seios e que os xingamentos não pararam após o episódio.

Eu falei que ia chamar a polícia. O porteiro viu tudo e mais dois rapazes que estavam dentro do prédio, mas ninguém fez nada.

Um outro homem, que assistia à cena da rua, ajudou Josimary a telefonar para as autoridades, já que ela estava muito nervosa. "Depois disso, eu passei mal e fui para a UBS, porque minha pressão estava muito alta", conta.

josimary - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Josimary de França, 29 anos, trabalha há dois como entregadora
Imagem: Arquivo pessoal

A motogirl, que trabalha há dois anos para uma empresa terceirizada, afirmou que nunca havia enfrentado uma situação semelhante.

Ele viu que eu era mulher e sentiu que poderia fazer isso. Se fosse homem tenho certeza que não teria feito.

O caso gerou comoção entre os entregadores de Guarujá, que realizaram ontem um protesto na frente do prédio contra o ocorrido.

"Quando eu relatei para os meus colegas de trabalho, todo mundo ficou muito revoltado. Isso é uma coisa que não pode acontecer. Você está trabalhando, só pelo fato de não entrar no prédio, você não pode agredir uma pessoa", lamentou ela.

Josimary diz que as imagens do ocorrido estão registradas nas câmeras de segurança do prédio, às quais ela ainda não teve acesso. A entregadora retornou ao edifício para identificar o homem, já que a encomenda estava no nome de outra mulher. Segundo ela, o porteiro havia informado que o morador deixou o prédio com malas nesta semana. "Ninguém pegou os dados do rapaz, só os meus. Também não sei se o porteiro estava falando a verdade para mim", relata.

O episódio, para Josimary, teve impactos financeiros e ela pretende levar o caso à Justiça.

Me afetou muito naquele dia, não consegui trabalhar. A gente ganha por entrega. E naquele dia eu não consegui mais trabalhar, deixei de ganhar, então afetou bastante.

A entregadora conta que hoje conseguiu encontrar o nome do morador por meio da fatura do cartão de crédito. No entanto, ele ainda não foi localizado pela reportagem para responder à acusação.

Procurado pelo UOL, um representante do condomínio em que as cenas foram registradas não quis se pronunciar, mas informou que o morador, que passa apenas temporadas no local, deixou o imóvel no dia seguinte à agressão.

A SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) informou que o caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia do Guarujá, e a vítima foi orientada quanto ao prazo de seis meses para representação criminal.

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