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Colégio posta aluno branco pintado de preto no Dia da Consciência Negra

20.nov.2021 - Foto no Instagram do Colégio Adventista Gurupi mostra aluno branco com o rosto pintado e com peruca em evento do Dia da Consciência Negra - Reprodução/Instagram Colégio Adventista Gurupi
20.nov.2021 - Foto no Instagram do Colégio Adventista Gurupi mostra aluno branco com o rosto pintado e com peruca em evento do Dia da Consciência Negra Imagem: Reprodução/Instagram Colégio Adventista Gurupi

Fabrício de Castro

Do UOL, em Brasília

20/11/2021 16h03Atualizada em 20/11/2021 19h48

Um colégio particular de Gurupi, no estado do Tocantins, publicou uma foto nas redes sociais de um aluno branco "caracterizado" como negro, com a pele pintada e usando uma peruca. Os estudantes do 4º e do 5º ano participavam de uma atividade referente ao Dia da Consciência Negra, celebrado hoje (20). A iniciativa foi alvo de críticas de movimentos negros, que viram na prática um ato de blackface.

O blackface era uma prática teatral em que brancos pintavam a pele de preto para ridicularizar pessoas negras nos séculos 19 e 20, associando estereótipos negativos a elas. A prática também tinha relação com a discriminação de artistas negros, cuja presença nos palcos no passado muitas vezes era vetada por causa da cor de sua pele. Por causa disso tudo, o blackface passou a ser visto como uma prática racista em vários países, incluindo o Brasil.

O Colégio Adventista de Gurupi postou no Instagram imagens e vídeos dos alunos, com a seguinte legenda: "E hoje nossos alunos vieram caracterizados, para comemorarmos este dia tão importante e para refletirmos o quanto Deus nos tornou irmãos e que perante Ele, somos todos iguais".

Com a repercussão negativa entre movimentos negros, as imagens foram retiradas da internet.

Movimento local critica colégio

O Coletivo Negro de Gurupi também usou o Instagram para se pronunciar sobre o caso. Em nota, criticou as fotos e vídeos de crianças "caracterizadas" como pessoas pretas.

Ser negro não é uma fantasia. Estamos exaustos de sermos ridicularizados pelas nossas peles, nossos cabelos, nossos lábios e nossos narizes. Esses traços conta a história de nossos ancestrais!
Coletivo Negro de Gurupi

O coletivo afirmou ainda que a nota publicada não se destinava às crianças e a seus pais, mas sim à "estratégia inadequada adotada pela instituição".

Colégio diz que não estimulou pintura

Pelo Instagram, o colégio publicou uma nota de esclarecimento. Nela, diz que "incentivou os estudantes a celebrarem de forma livre esse importante dia com respeito e admiração pelas pessoas". Além disso, afirma que não estimulou os alunos a se pintarem.

O Colégio incentivou os estudantes a celebrarem de forma livre esse importante dia com respeito e admiração pelas pessoas. Em nenhum momento, os estudantes foram pintados ou estimulados a pintarem o rosto."
Colégio Adventista de Gurupi

Na mensagem, o colégio também pediu desculpas "pela situação que se criou".

No começo da noite de hoje, a assessoria de imprensa do colégio procurou o UOL para dizer que apenas um aluno compareceu pintado ao evento pelo Dia da Consciência Negra.

Errata: o texto foi atualizado
A chamada na home do UOL, o título do texto e o primeiro parágrafo foram alterados para corrigir a informação de que mais de um aluno havia comparecido pintado de preto.

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