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5 meses

Família adota moradora de rua que ajudou jovem em hospital de MG

Gesiane, Josiana e Beatriz em foto já depois da alta das duas pacientes  - Arquivo Pessoal
Gesiane, Josiana e Beatriz em foto já depois da alta das duas pacientes Imagem: Arquivo Pessoal

Do UOL, em São Paulo

11/01/2022 04h31Atualizada em 11/01/2022 10h06

Uma família de Mutum, cidade mineira a 384 km de Belo Horizonte, "adotou" uma moradora de rua que ajudou na recuperação de uma jovem de 18 anos, que sofreu uma queda de 9 metros de altura e enfrentava um quadro de depressão.

Beatriz Hubner de Souza passou 35 dias internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital São Lucas, referência em trauma em Minas Gerais. Mas apesar da melhora no quadro de traumatismo e coágulos causados pelo incidente, que aconteceu em 13 de outubro, o quadro psicológico da adolescente preocupava a mãe, Gesiane Hubner, 39.

As coisas mudaram apenas em novembro, quando Beatriz foi transferida para o Hospital Vitória, com o propósito de iniciar sua reabilitação. Na nova unidade de saúde, também na capital mineira, a jovem passou a dividir quarto com Josiana Pinheiro Lenci, 43, moradora de rua que já havia passado por vários hospitais da região desde que foi espancada por colegas e abandonada sem assistência médica.

Com a demora para receber cuidados, a moradora de rua acabou perdendo os movimentos das pernas. Ela havia sido adotada ainda criança, mas seus pais morreram no início de sua vida adulta, deixando Josiana com as irmãs adotivas. Após algum tempo de uma convivência ruim com as mulheres, ela abandonou a casa em que cresceu para morar nas ruas.

josiana beatriz - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Mãe de Beatriz escreveu sobre amizade da filha com Josiana
Imagem: Arquivo Pessoal

"A gente chegou, a Josiana estava sozinha no quarto. E a Beatriz ficou na outra cama. A Josi sempre brincou com ela, tentando interagir, mas ela não reagia. Até que um dia a Josi brincou que ia levantar da cama e puxar os cabelos dela. Aí a Beatriz começou a rir e falou assim: 'Como você vai vir aqui puxar meu cabelo? Se você nem anda?'. E aí a Josi disse que dava um jeito", lembra a mãe da jovem.

"Elas começaram a brincar, a conversar, a Josi fazendo as graças dela, e a gente foi conversando e descobrindo a história dela e eu acredito que a Beatriz pegou a história de vida da Josi como um aprendizado", afirma Gesiane.

As duas ainda dividiram um quarto no hospital até dezembro, quando Beatriz teve alta. A mãe conta que a jovem sofreu para deixar a unidade de saúde, já que não queria deixar a amiga para trás, mas as duas acabaram unidas novamente em 23 de dezembro, quando Josiana teve alta e, com a autorização da assistente social que acompanhava a moradora de rua, as três puderam ir juntas para a casa da família.

"É um propósito que Deus que eu fiz, gratidão por ele ter devolvido a vida a Beatriz e por a gente ter parado ali naquele quarto com a Josi, que era moradora de rua, que precisava de cuidados após receber alta. Eu senti vontade de ajudar de alguma forma", explica a mulher, que tem mais dois filhos, uma jovem de 19 anos e um adolescente de 15.

Agora, apesar da adaptação fácil de Josiana à vida da família, Gesiane enfrenta o desafio de manter os cuidados com a nova integrante da casa e com os filhos. No total, os seis vivem apenas com um salário mínimo, da filha mais velha, e com o Auxílio Brasil.

Já Gesiane ganha uma renda extra apenas com trabalhos informais, o que levou à abertura de uma vaquinha online para ajudar com os custos altos em fisioterapia e medicamentos, além de um possível carro para ajudar no deslocamento da mulher que vivia em situação de rua.

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