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Após cirurgia, síndico agredido por morador segue no CTI e agradece apoio

Jéssica Lima

Colaboração para o UOL, em Brasília

19/03/2022 19h14Atualizada em 20/03/2022 11h14

Agredido por um morador do prédio que administra em Águas Claras (DF), o síndico Wahby Abdel Karim Khalil, 42, passou por uma cirurgia odontológica neste sábado (19) e agradeceu o apoio recebido após o caso em vídeo divulgado após a operação. Khalil continua internado no CTI (Centro de Terapia Intensiva) de um hospital particular no Distrito Federal e ainda não tem previsão de alta,

"Quero agradecer a todos pelo apoio. Fiz uma cirurgia agora à tarde. Estou melhor e me recuperando", diz Khalil no vídeo, gravado ainda no hospital. "Os médicos estão me acompanhando. Quero agradecer porque eu realmente precisei desse apoio de vocês."

Khalil levou um soco do morador — um professor de artes marciais — após um desentendimento sobre o saco de boxe da academia coletiva do prédio. A cirurgia teve como objetivo evitar que o síndico engolisse os próprios dentes, que ficaram amolecidos com o impacto da pancada. O síndico também não conseguia se alimentar com sólidos.

No relatório médico ao qual o UOL teve acesso, os profissionais de saúde solicitam a realização de exodontia — extração cirúrgica de dente —, sob sedação médica, de forma emergencial, "para evitar broncoaspiração, foco de infecção ativo e dor intensa". De acordo com o boletim médico, a cirurgia "transcorreu sem intercorrências".

O personal trainer Henrique Paulo Sampaio Campos, de 49 anos, é procurado pela Polícia Civil. Nesta sexta (18), agentes foram ao prédio para intimá-lo, mas Henrique não foi encontrado.

Repúdio ao agressor

Ontem, entidades que representam síndicos divulgaram uma nota de repúdio à agressão sofrida pelo síndico. No texto, INCC (Instituto Nacional de Condomínios e Apoio aos Condôminos), Abrassp (Associação Brasileira de Síndicos e Condomínios), Assosíndicos/DF (Associação dos Síndicos de Condomínios Residenciais e Comerciais do Distrito Federal) e o Grupo de Síndicos de Águas Claras criticaram a conduta "prepotente, arrogante e agressiva do morador do condomínio."

"É intolerável que um professor proceda com um soco, combinado com truculência, desrespeito e falta de civilidade se colocando acima da lei, agredindo física e moralmente o síndico do condomínio", diz a nota.

"As entidades entendem que todo o condômino tem o direito de se manifestar livremente nas assembleias, no livro de ocorrências do condomínio ou nos canais apropriados, porém não podemos admitir que síndicos que atuam para manter a ordem, cuidar do condomínio, buscam fazer cumprir a convenção e o regimento interno da edificação se tornem alvos de qualquer grau de intimidação, violência ou do cerceamento ao seu trabalho."

As entidades cobraram do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) a instauração de "procedimentos de denúncia ao agressor".

Relembre o caso

O síndico Wahby Abdel Karim Khalil foi agredido por um morador do prédio em que ele vive durante um desentendimento sobre um saco de boxe instalado na academia coletiva do prédio.

A agressão foi registrada por imagens de câmeras de segurança do local. Nelas, é possível ver que o síndico, o professor, identificado como Henrique Paulo Sampaio Campos, e um funcionário conversam.

Em determinado momento, o agressor ameaça partir para cima de Khalil, que está de camiseta rosa. Segundos depois, o homem dá um soco no rosto do síndico, que cai ao chão e bate a cabeça.

O homem que vê a agressão tenta intervir, mas, após supostas ameaças por parte de Henrique Campos, sai do local. O professor de artes marciais segue exaltado e falando agressivamente, apontando para a vítima, que demora a conseguir se levantar.

O síndico foi socorrido por outros moradores e procurou a 21ª Delegacia de Polícia, localizada em Taguatinga (DF), para registrar um boletim de ocorrência contra o agressor. A Polícia Civil investiga o caso.

Na delegacia, Khalil informou que, há um ano, o morador instalou o saco de boxe na academia do prédio. Porém, no início de março, foram detectadas rachaduras no teto e, no dia da agressão, houve a comunicação ao homem de que seria necessário retirar o aparelho.

"Fui informar ao morador que estávamos recebendo reclamações de outros moradores por causa das rachaduras e, por isso, seria necessário retirar o saco de boxe e levar o caso à assembleia. Ele não gostou, tentei justificar e fui surpreendido com o soco. Foi tão forte que fiquei desacordado", disse em conversa com o UOL.

Wahby foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) e depois para um hospital. Ele foi diagnosticado com uma hemorragia no cérebro. Segundo seu advogado, o síndico não retornou para seu apartamento, com receio de que possa acontecer algo pior.

O UOL entrou em contato com Henrique Paulo Sampaio Campos, por mensagens, ligações telefônicas e pelas redes sociais, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto e será atualizado tão logo haja manifestação.