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As brasileiras que desafiam recorde após pessoa mais velha do mundo morrer

Mesmo com 120 anos, dona Josefa tem o hábito de fumar e segue bem com isso - Reprodução/Universa
Mesmo com 120 anos, dona Josefa tem o hábito de fumar e segue bem com isso Imagem: Reprodução/Universa

UOL, em São Paulo

25/04/2022 12h20Atualizada em 25/04/2022 19h49

A japonesa reconhecida como a pessoa mais velha do mundo morreu aos 119 anos. Kane Tanaka vivia na região de Fukuoka, sudoeste do Japão. Agora, o Guinness Book, o livro dos recordes, anunciou que vai investigar quem ocupará o posto deixado por ela.

Antes mesmo de Tanaka morrer, o Brasil já tinha duas brasileiras que se destacavam por sua longevidade, inclusive 'desafiando' o recorde da japonesa.

Na cidade de Pilar, na Grande Maceió, a aposentada e ex-agricultora Josefa Maria da Conceição completou mais um ano de vida no mês de fevereiro e, segundo sua família, chegou aos 120. Em entrevista ao UOL em 2019, ela se descrevia como "muito bem de saúde" e se mostrava lúcida nas falas.

Tendo dado à luz 22 filhos, 13 deles passaram dos seis meses, mas só quatro ficaram vivos. Uma delas é Cícera Rosane da Silva, 75, que cuida da mãe e contou, na época, que ela não dá trabalho e é comportada, apesar de um hábito da dona Josefa não ser bem visto por Cícera: fumar.

O fumo, dizem elas, não é desses industriais "cheio de porcarias", mas sim de palha, segundo a centenária. "Não gosto desse cigarro, nunca gostei."

Na alimentação, ela prefere "uma galinha sem o couro, uma carne magra, um charquezinho no feijão, arroz branco. Ou come uma bolacha, pãozinho, nada errado", relatou a filha.

Enquanto uns fumam, outros nem bebem

Enquanto Josefa tem o hábito do fumo, Isabel Alves de Carvalho, que também diz ter 120 anos, recusa o tabaco e bebida para se manter viva e ser uma das pessoas mais velhas do mundo.

Isabel é uma moradora de Bacabal (MA) dedicada à igreja evangélica, da qual virou fiel há 50 anos, e a tutora Maria Reis contou que ela nunca consumiu bebidas alcoólicas e nem fumou por causa disso.

Dedicada à igreja evangélica, dona Belinha completou 120 anos em 2021  - Reprodução/Arquivo pessoal - Reprodução/Arquivo pessoal
Dedicada à igreja evangélica, dona Belinha completou 120 anos em 2021
Imagem: Reprodução/Arquivo pessoal

Em agosto do ano passado, ela completou 120 anos de vida e amigos e familiares organizaram uma comemoração de mais um aniversário.

Dona Belinha, como ela é conhecida, não abre mão do que ela mais gosta: bolo.

"Ela gosta de festa. Só procurava pelo bolo. Adora bolo. Atualmente, ela se alimenta mais com sopa e mingau. Mas adora um cafezinho com pão, um bolo", disse a tutora Maria.

Apesar de ambas declararem, baseadas nos documentos que têm, ter 120 anos, o que as faria mais velha que Kane Tanaka, elas nunca tiveram o recorde reconhecido pelo Guinness.

Outra possível recordista

Depois de Kane Tanaka, a pessoa a ser reconhecida como mais velha do mundo é Lucile Randon, 118, conhecida como "Irmã André", segundo a agência de notícias francesa AFP - ainda que o título do Guinness esteja pendente.

A francesa Lucile Randon, 118, vive em uma casa de repouso e deseja "morrer logo" - Nicolas Tucat/AFP - Nicolas Tucat/AFP
A francesa Lucile Randon, 118, vive em uma casa de repouso e deseja "morrer logo"
Imagem: Nicolas Tucat/AFP

Nascida em Ales, na França, em 11 de fevereiro de 1904, Lucile vive em uma casa de repouso na cidade de Toulon e o principal desejo de aniversário era apenas "morrer logo".

Guinness Book

Segundo o Livro dos recordes, Kane Tanaka foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo em 2019. Ela quebraria o recorde de mais antiga pessoa a participar do revezamento da tocha olímpica, nos Jogos de Tóquio, no ano passado, mas desistiu, por medo da covid-19.

No caso da Josefa, em 2019, o prefeito de Pilar, Renato Filho (MDB), fez contato com o Guinness Book no Brasil para tentar registrar o recorde. Ele afirmou que os responsáveis pela auditoria de idade do livro cobraram um valor de US$ 12 mil (em torno de R$ 50 mil), como despesa para reconhecer a marca.

Já em relação a dona Isabel, a família dela até tentou reivindicar o título, mas esbarrou na falta de conhecimento sobre os procedimentos necessários. "Nunca nos procuraram, do livro. A gente que pensou em procurá-los. Até juntamos uns documentos, mas não conseguimos dar continuidade", explica um dos filhos adotivos, Edilson de Carvalho.