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Nordeste dialoga com China para trocar animal por máquina na lavoura

Agricultura familiar em Brejo da Madre de Deus.  - GENILSON ARAÚJO/FETAPE
Agricultura familiar em Brejo da Madre de Deus. Imagem: GENILSON ARAÚJO/FETAPE

Camila Turtelli*

Do UOL, em Natal

24/06/2022 04h00

Enquanto os grandes produtores agrícolas se modernizam, com máquinas cada vez mais complexas, a pequena lavoura no Brasil ainda é praticamente manual, com ajuda de animais. No país, apenas 12% da agricultura familiar é mecanizada, sendo que a maior parte está no Sul, com 44%, segundo o Censo Agropecuário de 2017. Já nos Estados do Nordeste, esse porcentual é bem menor, de 1,3%.

Em uma tentativa de driblar essa questão, técnicos da região iniciaram tratativas, durante a primeira FENAFES (Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária do Consorcio Nordeste), em Natal (RN), para assinar um memorando de entendimento com a embaixada da China.

A intenção é criar uma cooperação entre universidades, empresas e os governos para adaptar maquinários chineses voltados para agricultura familiar às condições brasileiras e, posteriormente, adquirir esses equipamentos, por meio de políticas públicas estaduais voltadas para essa área.

A falta de maquinário para agricultura de pequeno porte dificulta a produção e colabora até com o êxodo de jovens do campo, afirma o subsecretário do Consórcio do Nordeste, Diego Pessoa Gomes.

"Esse processo de mecanização tem a perspectiva de melhorar a qualidade de vida do homem no campo, diminuir o êxodo rural da juventude que, hoje, muitas vezes não quer ficar porque é um trabalho demasiadamente pesado", afirma Gomes. Segundo ele, com algumas máquinas é possível fazer o trabalho de 15 dias em apenas um.

Antonio Amorim - Divulgação - Divulgação
presidente da Emater do Ceará (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), Antonio Amorim
Imagem: Divulgação

Para o presidente da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) do Ceará, Antonio Amorim, as lavouras de pequeno porte do Nordeste e do Brasil ainda estão muito atrasadas quando se trata de maquinário.

"Há uma imensa dificuldade de acesso às máquinas pelos pequenos agricultores no Brasil. Se pegarmos aqui o Sul do Brasil, tem peças lá que já são de museu e que nós nem chegamos a conhecer aqui", diz.

Amorim afirma que há máquinas em desenvolvimento na China que podem, por exemplo, substituir os animais no campo, como um modelo de motocultivador. "Eu posso arar, plantar, colher, roçar e posso transportar. Isso para o pequeno agricultor é como se fosse os animais do passado e muito mais rápido", disse.

Zareff - Divulgação - Divulgação
Pesquisador da Associação Internacional para a Cooperação Popular (AICP), Luiz Zarref
Imagem: Divulgação

O pesquisador da AICP (Associação Internacional para a Cooperação Popular) Luiz Zarref afirma que a associação está trabalhando nos últimos cinco meses em um catálogo de máquinas adaptadas à realidade brasileira.

"Estamos bastantes convencidos de que uma estratégia de mecanização da agricultura familiar dará condições de aumentar ainda mais condições para a produção de alimentos saudáveis e também vai reduzir a penosidade do trabalho", disse Zarref.

*A repórter viajou a convite do Consórcio Nordeste

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