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Filhote de espécie do Pantanal ameaçada de extinção nasce em zoo de SP

O novo filhote é o quarto indivíduo de uma família que vive no Zooparque Itatiba - Divulgação
O novo filhote é o quarto indivíduo de uma família que vive no Zooparque Itatiba Imagem: Divulgação

Do UOL, em São Paulo

30/06/2022 14h42Atualizada em 30/06/2022 14h52

Um cervo-do-pantanal, espécie nativa ameaçada de extinção, nasceu em um zoológico do interior de São Paulo de parto natural. Pesando 4,680 kg, o filhote macho é o quarto indivíduo de uma família que vive no Zooparque Itatiba. Ele ainda não tem nome, mas nos próximos dias a instituição deve realizar uma votação com as opções.

O nascimento ocorreu no dia 22, por volta das 20h44. Segundo o zoológico, o animal veio ao mundo "cheio de saúde" e já mostrou ser bastante "manhoso".

O cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) é considerado o maior cervídeo da América do Sul e pode ser encontrado em maior concentração no Pantanal, como diz o nome. No Sudeste, o animal também era comum, mas a população foi pouco a pouco desaparecendo. No entanto, ainda há alguns indivíduos fora de cativeiro, de forma pequena e isolada.

Eles entram na lista de ameaçados em extinção devido às queimadas, construções de hidrelétricas, avanços de áreas agrícolas e urbanas, além de doenças transmitidas por criações de bovinos domésticos que implicam na sobrevivência destes animais em seus habitats.

O Zooparque Itatiba tem um projeto de recuperação das espécies, cujo pontapé inicial se deu em 2019, com a chegada de Lina, uma fêmea que vivia no Parque Vida Cerrado, na Bahia. Somou-se a ela no ano seguinte Kadu, um macho adulto que vivia no Zoológico de Sorocaba.

Eles foram escolhidos dentro do Programa Nacional de Conservação da Espécie para a formação de casal e geração de novos descendentes. A veterinária Maria Fernanda Gondim explica que o programa existe há mais de 20 anos e hoje é coordenado dentro desse acordo o Zooparque Itatiba.

"A ideia era retirar os animais das áreas impactadas e mantê-los em abrigo para futuras reintroduções e outros projetos", explica ela, ao UOL. "Eles vêm se reproduzindo dentro desse programa. São animais com antepassados da década de 1980."

A gestação da espécie dura entre 250 e 270 dias, e nasce apenas um filhote por vez. Em 2021 o programa no Zooparque começou a ver os primeiros resultados, com o nascimento de Aurora, o primeiro filhote do casal. O anúncio foi comemorado nas redes sociais da instituição na época.

"A ideia é construir um novo recinto e ter mais um novo casal. Um dos irmãos deve ir para outro centro parceiro para que a reprodução seja com genética diferente. Ainda não temos projetos de reintrodução ao habitat, mas a manutenção destes animais em cativeiro é importante para reprodução e, futuramente, quando tiver uma área possível, que eles possam ser reintroduzidos à natureza."

Os animais geralmente ficam em exposição para o público. No entanto, Lina e o novo filhote estão afastados para receber os cuidados necessários após o parto.

O isolamento inicial é importante para fortalecer o laço entre os dois e permitir que a equipe veterinária consiga realizar os exames iniciais, monitoramento dos sinais vitais e acompanhamento da amamentação e desenvolvimento do filhote, conforme informa o zoológico.

A expectativa é a de que na próxima semana o novo filhote e a mãe dele, Lina, voltem ao recinto.

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