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Propinas e proteção: Bicheiro Rogério de Andrade é preso no Rio de Janeiro

Rogério de Andrade foi preso horas após o filho suspeito de liderar organização criminosa - André Lobo/UOL
Rogério de Andrade foi preso horas após o filho suspeito de liderar organização criminosa Imagem: André Lobo/UOL

Colaboração para o UOL

04/08/2022 19h06

O bicheiro Rogério de Andrade foi preso hoje, no Rio de Janeiro, em uma operação da Polícia Federal, por determinação da 1ª Vara Especializada em Crime Organizado, por ser apontado como líder de organização criminosa em atividade. Ele foi encontrado em uma residência em Araras, na região serrana de Petrópolis. As informações são do Ministério Público do Rio de Janeiro.

"A propósito, segundo consta nos autos, a liderança máxima da organização criminosa seria Rogério de Andrade, que possui 13 (treze) anotações em sua Folha de Antecedentes Criminais, incluindo seu suposto envolvimento em diversos feitos relacionados a homicídios", destacou o juiz Bruno Monteiro Rulière na decisão judicial.

A liderança de Andrade, bem como a continuidade do recebimento de dinheiro ilícito e pagamentos de propinas foram utilizados como argumento por parte dos promotores de justiça para pedir a prisão do bicheiro. A comprovação, em documentos, de que ele continuaria a receber dinheiro de jogos de azar, utilizado em parte para pagar propinas a policiais, que lhe ofereceriam proteção, fez deixar de existir os motivos que levaram o Supremo Tribunal Federal (STF) a suspender o pedido anterior de prisão.

De acordo com o jornal O Globo, uma das provas demonstra que um emissário teria cobrado os atrasados de propina de quatro delegacias de polícia do Rio.

Neste ano, por duas vezes, o ministro Nunes Marques suspendeu os efeitos de prisões preventivas contra Rogério de Andrade. A primeira, pela acusação da morte do rival Fernando Iggnácio. A segunda, por liderar uma organização criminosa.

Na segunda decisão, tomada esta semana, o ministro alegou que as denúncias feitas contra o bicheiro eram antigas e haviam sido alcançadas pelos efeitos de sua primeira decisão.

A decisão pela prisão também vale para outros seis suspeitos, além de pai e filho. Os integrantes do grupo, segundo o juiz Bruno Rulière, representam "intenso risco para a ordem pública e econômica municipal".

"Caso os representados permaneçam em liberdade, na medida em que são pessoas influentes na cidade, tratando-se de empresários e, 21 uma vez soltos, decerto não medirão esforços para atrapalharem os rumos da investigação, inclusive com eventual inutilização de provas", escreveu em sentença.

Filho também foi preso

Gustavo de Andrade, filho do contraventor, também foi preso hoje. Ele estava foragido desde maio. Gustavo e o pai estavam juntos em uma casa no Condomínio Vale do Sossego, em Itaipava, bairro nobre de Petrópolis, na Região Serrana do Rio.

O Ministério Público do Rio de Janeiro afirma que Rogério de Andrade e Gustavo de Andrade comandam uma estrutura criminosa organizada voltada à exploração de jogos de azar não apenas no Rio de Janeiro, mas em diversos outros estados.

O UOL entrou em contato com a Polícia Federal do Rio de Janeiro para obter mais detalhes da prisão e também tenta conseguir posicionamento da defesa de Rogério Andrade sobre o caso, atualmente feita pelo advogado Ary Bergher. Este espaço será atualizado tão logo haja manifestação.

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