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Corpo achado em freezer estava abaixo de refrigerantes oferecidos em almoço

Claudia Tavares Hoeckler confessou ter matado o marido Valdemir Hoeckler. Após cometer o crime, ela escondeu o corpo no freezer - Reprodução
Claudia Tavares Hoeckler confessou ter matado o marido Valdemir Hoeckler. Após cometer o crime, ela escondeu o corpo no freezer Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

23/11/2022 12h16Atualizada em 23/11/2022 15h52

O corpo do motorista encontrado dentro de um freezer estava embaixo de refrigerantes oferecidos para os bombeiros que realizavam buscas por ele, até então considerado "desaparecido", em Lacerdópolis (SC), segundo a polícia. Valdemir Hoeckler, 52, estava sumido desde a segunda-feira (14), quando não apareceu para trabalhar. Dias depois, a esposa dele, a pedagoga Claudia Fernanda Tavares Hoeckler, 40, confessou ser a responsável pelo assassinato.

A suspeita de que o corpo do homem estivesse dentro do eletrodoméstico partiu de um vizinho que acompanhava as buscas. No dia em que os agentes estiveram na residência do casal, Claudia ofereceu um almoço aos militares, bem como refrigerantes, que estavam no freezer. Nesse momento, a testemunha, que esteve dias antes na casa, notou um volume muito maior no congelador em comparação com a data anterior.

O vizinho relatou à polícia, anteriormente, que o freezer estava vazio. Munidos desses elementos, aliados às poucas informações cedidas pela família, investigadores pediram autorização para uma perícia na casa, o que também foi autorizado pela esposa de Hoeckler.

No entanto, horas antes do horário marcado — 20h de sábado (19) — a mulher comunicou à Polícia Civil que passou mal e procurou um médico. De acordo com o delegado Gilmar Antônio Bonamigo, a Polícia Civil constatou que nenhum hospital da região registrou a entrada da mulher.

A suspeita de que o caso se tratava de um homicídio ocorreu ainda na sexta-feira (18), quando a mulher deu o primeiro depoimento. Claudia apresentava hematomas e marcas no braço, compatíveis com uma agressão. Ela não soube explicar o que teria causado os ferimentos, mas aceitou fazer um exame de corpo de delito.

Agressões e medida protetiva

Em uma entrevista divulgada pelo Canal Beto Ribeiro no YouTube no domingo (20), Claudia relatou ter tido uma vida marcada por abusos e abandonos desde os primeiros anos de vida. Durante o vídeo, ela apresentou sua versão sobre o caso e confessou ter assassinado o marido depois de uma sequência de abusos e ameaças.

Na conversa, ela disse que decidiu cometer o crime após Valdemir lhe impedir de viajar com colegas de trabalho, o que ocorreria no dia 14. Ela relatou que, no domingo (13), tentou convencer novamente o marido a deixá-la ir, entretanto, Valdemir teria dito que mataria a mulher caso acordasse e não visse a esposa na casa.

Diante da negativa e da ameaça, Claudia disse que "teve um surto", pensando que, "já que alguém vai morrer, então seja você [Valdemir]". Após dar remédios sedativos ao marido, ela o esperou adormecer e cobriu sua boca e nariz com uma sacola de supermercado.

"Foi tudo repentino. Eram remédios do meu sogro. Ele tomou junto com outros remédios que já tomava". Enquanto o asfixiava, pensou em parar, mas disse que desistiu porque, "se eu parasse e ele acordasse, ele iria me matar. Era eu ou ele", afirmou. Em seguida, ela enrolou o corpo em um lençol e o escondeu no freezer.

Em 2019, ela diz ter feito um boletim de ocorrência e conseguido medida protetiva contra o marido, mas que, por medo, teria voltado atrás. "Ameaçava matar a [nossa] filha também", contou ela.

Claudia conheceu Valdemir há 22 anos. Na época, o motorista fornecia cigarro contrabandeado na lanchonete da mãe dela e já era casado, tendo três filhos até então.

O corpo do motorista só foi encontrado no sábado (19), cinco dias depois do crime.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decretou a prisão temporária de Claudia. Na audiência de custódia, a defesa pediu para que a prisão fosse convertida em domiciliar, com monitoramento eletrônico.