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O que se sabe sobre chacina de quatro policiais em delegacia no Ceará

Do UOL, no Rio

15/05/2023 04h00

Quatro policiais civis foram assassinados na madrugada de domingo na delegacia de Camocim (CE). Três deles estavam dormindo no momento do crime. O principal suspeito é um colega deles, o inspetor Antônio Alves Dourado, que foi preso.

Três vítimas estavam dormindo

Três policiais mortos na chacina foram atingidos enquanto estavam dormindo, de madrugada. A quarta vítima estava de plantão, enquanto os colegas descansavam.

As vítimas foram três escrivães e um inspetor: Antônio Cláudio dos Santos, Antônio José Rodrigues Miranda, Francisco dos Santos Pereira e Gabriel de Souza Ferreira.

Como foi a dinâmica do crime?

O suspeito chegou em uma moto ao local do crime por volta das 4h40, segundo a guarnição da PM que atendeu a ocorrência. Em seguida, teria entrado escondido pelos fundos e subido para o primeiro andar.

No primeiro andar da delegacia, o suspeito teria encontrado um plantonista, o escrivão Antônio Cláudio, que fazia a segurança do restante da equipe, que estava dormindo.

Cláudio pulou do primeiro andar para o térreo para tentar fugir, mas foi atingido pelas costas, segundo apurou o UOL. A vítima não sobreviveu.

Em seguida, o suspeito teria seguido para os dormitórios, no térreo da delegacia, onde teria atirado contra os três que dormiam em redes.

Chacina por asfixia

Após o crime, a PM encontrou na delegacia um gás de cozinha que teria sido alterado para incluir conexões. A polícia acredita que a intenção do suspeito era matar as vítimas por asfixia.

O suspeito também tinha uma máscara de proteção de gás, segundo a polícia. De acordo com o delegado, o plano do suspeito teria duas fases: matar policiais por asfixia durante a madrugada e ficar de tocaia na delegacia até a troca de plantão, para matar outros colegas, incluindo o próprio delegado.

Após os disparos contra os colegas, o suspeito teria fugido em uma viatura da delegacia. A arma usada no crime foi uma pistola calibre 40.

Reclamação de escalas de trabalho

O UOL apurou junto a policiais que Dourado estaria insatisfeito com a escala de serviço. Ele teria pedido para "não ser mais escalado para serviço extra, depois quis voltar atrás, mas foi informado de que não tinha como, já que a escala estava feita", informou um policial militar.

Ele sempre reclamava de algo, não aceitava bem as determinações. Sempre achava que estava sendo preterido. Jamais esperávamos isso. Ele era complicado de se trabalhar, mas não discutia com ninguém. Era muito calado"
Policial civil em entrevista ao UOL; ela pediu para não ser identificada

Preocupado, o delegado da unidade vinha usando colete à prova de balas, relatou em entrevista ao UOL. Segundo ele, o suspeito vinha gerando problemas. Por isso, o delegado cogitava transferí-lo de unidade.

Há quatro dias que eu estou andando de colete [à prova de balas] pra cima e pra baixo. Ele [o suspeito] não dava trégua aos colegas. Afrontava e queria me derrubar a qualquer custo. Ele não me matou, mas tirou a vida de policiais excepcionais, exemplares, pais de família, homens trabalhadores, do bem, alegres, vão deixar saudades a toda comunidade da nossa região"
Adriano Zeferino de Vasconcelos, delegado da Polícia Civil em Camocim