Conteúdo publicado há 5 meses

Caso Joaquim: Justiça condena padrasto a 40 anos de prisão e absolve mãe

O Tribunal do Júri condenou ontem o técnico em informática Guilherme Raymo Longo a 40 anos de prisão pelo assassinato do enteado dele, Joaquim Ponte Marques, de 3 anos. A mãe do menino, a psicóloga Natália Mingoni Ponte, foi absolvida. Cabe recurso.

O que aconteceu:

O caso ocorreu em 2013, no interior paulista. O corpo de Joaquim foi encontrado em um rio, na cidade de Barretos, cinco dias após notificação de seu desaparecimento, em Ribeirão Preto, onde ele morava com a família.

O menino era diabético. Joaquim teria morrido dentro de casa após a aplicação de uma dose excessiva de insulina, substância usada para tratar a doença. O padrasto não admite, mas, segundo denúncia do Ministério Público, ele teria feito a aplicação de 160 doses de insulina no garoto.

Depois, Longo jogou o corpo do menino num córrego próximo à residência da família, ainda segundo o Ministério Público.

Em 2016, Longo confessou ter matado o enteado. Em uma entrevista à TV Record em Ribeirão Preto, ele disse que "não raciocinou direito" e acabou "fazendo besteira". Segundo o padrasto, o garoto foi morto por estrangulamento e, depois, teve o corpo jogado num córrego.

30.abr.2017 - Guilherme Longo, ao ser preso pela Interpol em Barcelona
30.abr.2017 - Guilherme Longo, ao ser preso pela Interpol em Barcelona Imagem: Reprodução/TV Globo

O crime foi cometido, segundo ele, com o objetivo de que o relacionamento com a mãe de Joaquim melhorasse. "Ela ia ter mais tempo para se dedicar a mim, ao nosso relacionamento, porque realmente a criança demanda muito esforço... eu achava que isso ia resolver, né?", disse na entrevista de 2016. A defesa dele, no entanto, afirmava que não havia nenhuma prova que incriminasse seu cliente.

Ao longo dos seis dias do julgamento, foram ouvidas 31 testemunhas, além do interrogatório dos réus. Depois, os sete jurados se reuniram na sala secreta para a votação dos quesitos.

Os jurados inocentaram a mãe, que era julgada por omissão. O Ministério Público argumentava que a mãe tinha o dever de garantir a integridade física e psíquica da criança e não o fez, o que sempre foi refutado pela defesa. Natália chegou a ser presa, mas respondia ao processo em liberdade.

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O casal se conheceu numa clínica de reabilitação — Natália trabalhava no local onde Longo estava internado para tratamento. Na época do crime, ele afirmou à Justiça que lutava contra o vício de cocaína.

O padrasto foi preso logo após a localização do corpo de Joaquim, mas conseguiu habeas corpus, em fevereiro de 2016, para responder pelo crime em liberdade. Em dezembro do mesmo ano, fugiu do Brasil com documentos falsos para o Uruguai e depois seguiu para a Espanha. A pedido do governo brasileiro, a Espanha extraditou o homem em 2018.

Longo foi condenado ontem pelo crime de homicídio qualificado: motivo fútil, emprego de meio cruel, uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de ser praticado contra pessoa menor de quatorze anos de idade. A pena foi fixada em 40 anos de reclusão, em regime inicial fechado.

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