Greve de ônibus em São Paulo: entenda a disputa por sindicato de motoristas

Em meio a uma disputa interna pela direção do SindMotoristas (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de ônibus de São Paulo), um grupo de funcionários afirma que vai paralisar as atividades amanhã.

O que aconteceu

Ao UOL, representantes dos motoristas e cobradores disseram que a maioria dos trabalhadores devem aderir à paralisação, que está marcada para começar à 0h desta sexta-feira.

Os grevistas afirmam que 95% da categoria vai cruzar os braços. Na semana passada, motoristas fecharam terminais de ônibus também em protesto pela votação da diretoria do sindicato.

A paralisação foi decidida como forma de protestar contra a decisão judicial que suspendeu as eleições para diretoria do sindicato. A Justiça atendeu o pedido de uma das chapas que disputou a eleição. Na decisão, ficou determinada multa de R$ 50 mil para Edivaldo Santiago da Silva, que encabeça a chapa 4.

Edivaldo venceu as eleições internas com 14 mil votos — de um total de 20 mil. No mesmo dia do resultado, as chapas perdedoras entraram com pedido na Justiça. O TRT (Tribunal Regional do Trabalho) determinou a publicação de um novo edital para as eleições até 28 de dezembro e que urnas eletrônicas devem ser solicitadas ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral).

A chapa 4 — que assumiria a direção amanhã — afirma ter entrado com recurso. Eles dizem que a Justiça chegou a marcar duas audiências, mas elas foram canceladas por questionamentos de outros grupos. Segunda a chapa 4, a decisão fere o estatuto do sindicato.

A reportagem procurou a Prefeitura de São Paulo para saber se a gestão municipal foi informada e se há um plano para amanhã, mas não teve retorno.

O SPUrbanuss, que reúne as empresas dos ônibus, disse que desconhece as razões da greve. O sindicato patronal afirma que se o motivo for "uma disputa interna sindical", os passageiros e as empresas "nada têm a ver com esses problemas, para serem prejudicadas, tanto na operação como no direito à mobilidade".

Buscam coagir Poder Judiciário, diz sindicato

O sindicato publicou nota nas redes sociais dizendo ser contrário à paralisação. O texto é assinado pelo presidente Valdevan Noventa, ex-deputado federal e rival de Edivaldo. Noventa foi reconduzido ao cargo no início do mês, mas os demais diretores apoiam a chapa 4 — eles terão o mandato encerrado amanhã, quando Edivaldo assumiria.

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Essas pessoas buscam coagir o Poder Judiciário para validarem de qualquer maneira uma eleição viciada e fraudulenta, obtendo vantagem manifestamente indevida e ilícita.
Trecho de nota do SindMotorista

Para o sindicato, a decisão é uma "exploração política" e uma forma de "obter vantagens indevidas". O presidente afirmou que a entidade pedirá a prisão dos responsáveis pela greve.

Na terça-feira, os paulistanos enfrentaram a greve dos metroviários e ferroviários. O transporte público foi afetado e, ao longo do dia, as linhas do Metrô e da CPTM funcionaram parcialmente.

A Prefeitura de São Paulo acionou a Justiça contra o sindicato para tentar garantir o funcionamento da frota de ônibus amanhã. Na ação, a administração municipal pede multa de R$ 1 milhão por dia em caso de paralisação.

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