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Tales: Lobby da Braskem atrasa instalação de CPI no Senado

A demora na instalação de uma CPI para investigar a atuação da Braskem no colapso iminente de uma mina de sal-gema em Maceió deve-se ao lobby da empresa no Senado. A avaliação é do colunista Tales Faria, em participação no UOL News desta sexta (1º).

O lobby da Braskem está atrasando a instalação da CPI no Senado. O requerimento foi apresentado pelo senador Renan Calheiros e aprovado em meados de outubro, mas até o momento os partidos não indicaram quem serão os integrantes da comissão. Sem essas indicações, não há CPI, exceto se o presidente Rodrigo Pacheco escolher os nomes e enfrentar os líderes, o que não é o jeito dele. Tales Faria, colunista do UOL

Tales chamou a atenção para o interesse da Petrobras em adquirir a parte da Novonor, sócia majoritária da Braskem, mesmo com um passivo ainda não calculado e todas as indenizações e compensações pelo colapso da mina em Maceió.

No plenário, Renan apontou que é inequívoca essa relação entre o afundamento e as atividades de mineração do sal-gema pela Braskem. Chamou de 'maior tragédia ambiental urbana do mundo'. Estamos em uma situação na qual uma empresa privada fez uma confusão geral na cidade, lucrou barbaridades e há a possibilidade de essa companhia sofrer insolvência se tiver que pagar tudo o que precisa. Aí vem o governo, com a Petrobras querendo comprá-la, e o prejuízo fica para a viúva. Tales Faria, colunista do UOL

Maceió: Braskem tem responsabilidade total pelo desastre, diz ministro

O ministro dos Transportes Renan Filho atribuiu à Braskem a "total responsabilidade" pelo desastre em Maceió, com o iminente colapso da mina. Ele compara o caso na capital alagoana à tragédia em Brumadinho quando o rompimento de uma barragem da mineradora Vale causou 270 mortes em 2019.

A responsabilidade da Braskem é total. No Brasil, a legislação ambiental impõe o crime a quem o pratica. Quem praticou esse desastre ambiental foi a Braskem. Ela própria diz, em reiteradas manifestações, que já investiu R$ 15 bilhões em indenizações e tentativas de estabilização. Antes da investigação, eles negaram, tentaram colocar a responsabilidade em outras empresas e disseram que não eram com eles. Mas não teve como; tecnicamente ficou claro. Renan Filho, ministro dos Transportes

Cratera de mina em Maceió pode criar 'Chernobyl brasileiro', diz geólogo

O iminente colapso da mina pode criar uma espécie de "Chernobyl brasileiro" em Maceió, por conta da desocupação de uma parte da cidade. A análise é do geólogo e professor da USP Pedro Luiz Cortês, que classifica o caso como uma "tragédia anunciada", pois houve diversos alertas desde a década de 1970 sobre as consequências da exploração da mina naquela área.

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Dificilmente essas áreas poderão ser ocupadas. Talvez em algumas delas, após um monitoramento de vários anos, possa se constatar alguma estabilidade e poderão ser reocupadas, mas não vejo um futuro muito bom para essa área no sentido de reocupação e reurbanização. Teremos ali uma espécie de 'Chernobyl brasileiro'. Ou seja: uma cidade que ficou desocupada por força de uma tragédia e pela dificuldade de se restabelecer a normalidade nessa área afetada. Pedro Luiz Cortês, geólogo e professor da USP

Defesa Civil de Maceió divulgou atualização do mapa de risco do afundamento dos bairros
Defesa Civil de Maceió divulgou atualização do mapa de risco do afundamento dos bairros Imagem: Divulgação/Defesa Civil de Maceió

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