Caso Bernardo: madrasta nega envolvimento direto em morte: 'Errei muito'

Condenada pela morte do menino Bernardo Boldrini, ocorrido em 2014, a madrasta do menino, Graciele Ugulini, disse que está arrependida e que "errou muito". A entrevista foi dada ao Domingo Espetacular, da Record TV.

O que ela disse

Participação "indireta" na morte. Ela alega não ter tido participação direta na morte de Bernardo e disse que "não sabia" que seria descoberta. "Diretamente, não. Mas, indiretamente, sim [sobre o envolvimento na morte]".

Graciele se diz arrependida. "Peguei o caminho da morte, peguei o caminho da destruição. Errei muito [...] Tem muitas coisas que se apagaram da minha cabeça há muito tempo".

Dia da morte. Ela conta que Bernardo tomou remédio por conta própria e, por isso, acabou morrendo. "Bernardo disse que estava com enjoo e dei remédio para ele. De repente, olhei para ele e estava com o olho fechado, saindo uma espuma branca da boca. Abri minha bolsa, comecei a vasculhar e vi uma cartelinha de remédio vazia".

Medo de ir ao hospital. Ao ver a cena, Graciele alega ter se desesperado com o que estava acontecendo. "Me desesperei. 'A gente não pode ir para o hospital. Vão achar que dei o remédio pra ele'".

Brigas com o enteado. Sobre o relacionamento com Bernardo, ela diz que havia brigas entre eles, mas nunca agressão física. "Brigávamos. Não de agressão física, mas de discutir. Muitas vezes os 'nãos' causavam revolta".

"Momento de raiva". Confrontada com um áudio em que ela diz que preferia estar na prisão por matar o menino do que continuar convivendo na mesma casa, ela diz ter tido um "momento de raiva". "Enlouqueci. Eu disse isso em um momento de raiva. Foram vários momentos, porque temos momentos de raiva".

Relembre o caso

Bernardo desapareceu em 4 de abril de 2014 na cidade de Três Passos (RS), aos 11 anos.

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Seu corpo foi encontrado 10 dias depois, em Frederico Westphalen, enterrado às margens de um rio. Edelvânia, amiga da madrasta, admitiu o crime à polícia e mostrou o local onde o corpo foi enterrado. O menino morreu depois de receber uma forte dose do sedativo midazolam.

Quatro pessoas foram condenadas pela morte: o pai, Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Ugulini; a amiga do casal, Edelvânia Wirganovicz, e Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia.

A sentença lida pela juíza Sucilene Engler à época apontou que, além da morte, o garoto sofria maus-tratos: "O acusado [pai] e a madrasta perpetravam atos de violência psicológica e humilhação contra a vítima, como mostram vídeos no celular do réu", escreveu a juíza.

Na decisão, também foi citado o "descontrole emocional e perversidade extraordinária" do pai.

17.abr.2014 - Leandro Boldrini, 38, e Graciele Ugulini, 32, pai e madrasta de Bernardo
17.abr.2014 - Leandro Boldrini, 38, e Graciele Ugulini, 32, pai e madrasta de Bernardo Imagem: Reprodução/Facebook

Penas

Leandro Boldrini, pai de Bernardo

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  • Por homicídio: 30 anos e oito meses de prisão
  • Por ocultação de cadáver: 2 anos de prisão
  • Por falsidade ideológica: 1 ano de prisão
  • Total: 33 anos e oito meses de prisão

Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo

  • Por homicídio qualificado: 32 anos e 8 meses de prisão
  • Por ocultação de cadáver: 11 meses de prisão
  • Total: 33 anos e 7 meses de prisão

Edelvânia Wirganovicz, amiga do casal

  • Por homicídio qualificado e ocultação de cadáver: 23 anos de prisão

Evandro Wirganovicz, irmão de Edelvânia

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  • Por homicídio simples e ocultação de cadáver: 9 anos e 6 meses de prisão. Ele poderá ir para o regime semiaberto

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