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Idoso levado a banco é enterrado 4 dias após morte; o que falta esclarecer

O corpo de Paulo Roberto Braga, 68, que teve a morte constatada em uma agência bancária na terça-feira (16) em Bangu, zona oeste do Rio, foi enterrado no fim da manhã de hoje no cemitério de Campo Grande.

O que aconteceu

Graças a um benefício da Prefeitura do Rio, o corpo do idoso foi sepultado em uma cerimônia gratuita. A morte de Paulo foi constatada no banco, enquanto ele estava em uma cadeira de rodas com Erika de Souza Vieira Nunes, presa por tentativa de furto mediante fraude ao tentar sacar R$ 17 mil em nome do idoso.

Perícia deve determinar quando Paulo morreu. A polícia aguarda o resultado de exames complementares, já que o laudo de necropsia não determinou se ele morreu antes de chegar ao banco ou no local. Paulo morreu com falência cardíaca por doença isquêmica prévia. Antes, teve "pneumonia não especificada" dependente de oxigênio e ficou internado de 8 a 15 de abril na UPA de Bangu.

Investigação vai verificar se idoso morreu por ter sido submetido a esforço físico quando deveria estar repousando, segundo a Justiça. "Conforme informações, o idoso havia recebido alta de internação por pneumonia na véspera, com descrição de 'estado caquético' no laudo de necropsia", diz decisão da Justiça que converteu a prisão em flagrante para preventiva em audiência de custódia na quinta-feira (18).

Imagens em análise. Além do vídeo do idoso já morto na agência, há imagens de quando ele desembarca do veículo com a ajuda de Erika no estacionamento de um shopping. Outro vídeo mostra Paulo em uma cadeira de rodas no estabelecimento. "Vamos fazer uma análise mais detalhada das imagens", disse o delegado Fábio Luiz da Silva Souza. No inquérito, ainda devem ser ouvidos vizinhos e parentes próximos.

O que diz a defesa de Erika

Defesa pede revogação da prisão preventiva. "Ela [Erika] atende os requisitos legais para responder o processo em liberdade. Não há chance de possível cometimento de crime caso ela seja solta", disse a advogada Ana Carla de Souza.

Advogada diz que idoso foi sozinho a agência bancária um mês antes de morrer para solicitar o empréstimo. "O Paulo sempre foi ativo. Quando solicitou empréstimo, ele foi andando ao banco. Depois, quando voltou do hospital, a situação era outra. Ele estava debilitado, mas insistiu para ir ao banco [na terça-feira]. Só que, dessa vez, não tinha como ir sozinho. Por isso, pediu para a Erika", disse a advogada.

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Ao menos duas pessoas interagiram com Paulo antes do trajeto até o banco. Um motorista de aplicativo prestou depoimento dizendo ter levado o idoso em uma viagem no banco traseiro do veículo. "Ele chegou a segurar na porta do carro", disse. Uma outra pessoa relatou ter ajudado a retirar Paulo da cama para levá-lo ao veículo. "Ele ainda respirava e tinha força nas mãos", disse.

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