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Quem são os principais candidatos a vereador de São Paulo 2020

Sessão no Plenário da Câmara dos Vereadores de São Paulo - Adriano Vizoni/Folhapress
Sessão no Plenário da Câmara dos Vereadores de São Paulo Imagem: Adriano Vizoni/Folhapress

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

16/08/2020 04h00Atualizada em 16/10/2020 12h46

Nove em cada dez vereadores da Câmara Municipal de São Paulo vão tentar permanecer em seus cargos para mais um mandato. Consulta do UOL com todos os gabinetes de parlamentares paulistanos aponta que ao menos 51 entre os 55 vereadores são pré-candidatos para a eleição de 15 de novembro.

Mas o histórico dos últimos dois pleitos não é favorável para todos. Tanto na eleição de 2016 quanto na de 2012, 33 dos 55 vereadores foram reeleitos (60%). Há quatro anos, 17 vereadores não conseguiram se reeleger.

A renovação existe, mas ela mantém a Câmara com o perfil de um vereador já na metade da faixa dos 50 anos de idade. Ao final da legislatura em 2016 e em 2020, a média da idade entre os vereadores paulistanos era de 56 anos.

A diferença, porém, está na distribuição entre as faixas etárias:

Hoje, três dos 55 vereadores decidiram não disputar a reeleição: Claudinho de Souza (PSDB), Celso Jatene (Partido Liberal) e Patrícia Bezerra (PSDB). Apenas Camilo Cristófaro (PSB) não respondeu.

Após a publicação do texto, a assessoria do vereador Daniel Annenberg (PSDB) disse que o parlamentar é pré-candidato à reeleição

Média mais baixa de candidatos a vereador

A média de idade do grupo que deixou a Câmara após a eleição de 2016 era de 58 anos. O grupo de 22 vereadores que entrou tinha uma média de idade de 45 anos.

Entre eles, estão Fernando Holiday (Patriota), hoje com 23 anos, e Eduardo Suplicy (PT), 79. Ambos são candidatos à reeleição e representam os extremos no quesito idade na Câmara.

Para o cientista político e professor da USP (Universidade de São Paulo) Glauco Peres, "a renovação não precisa ser etária". "Precisaria trocar essas pessoas só por que têm idade? A questão é que não é algo etário, tem mais a ver com uma questão de renovar as ideias."

Precisa haver porta de entrada, precisa ter renovação, mas a renovação precisa ser menos ingênua. Tem que renovar mais ideias do que propriamente trocar pessoas o tempo todo
Glauco Peres, cientista político

Câmara de poucos mandatos

Dos 55 vereadores paulistanos, mais da metade não tem um histórico tão longo na Câmara. Deles, 17 estão em seu primeiro mandato. Outros 13 exercem seu segundo mandato. Alguns, como Suplicy e Soninha Francine (Cidadania), retornaram ao Parlamento da capital após um período de ausência.


Na outra ponta, dois vereadores já estão há cerca de três décadas na Casa. Toninho Paiva, 78, do Partido Liberal, já está em seu sétimo mandato. Ele assumiu o cargo pela primeira vez em 1993 e foi reeleito em todos os pleitos desde então, como espera que aconteça neste ano também.

O mais antigo, porém, é o gaúcho Arselino Tatto (PT), da cidade de Frederico Westphalen. Aos 64 anos de idade, ele está em seu oitavo mandato, ocupando uma cadeira na Câmara desde 1989.

Arselino é irmão de Jilmar Tatto, 55, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, e do vereador paulistano Jair Tatto, parlamentar de 53 anos, que está em seu segundo mandato seguido. Os dois irmãos vereadores vão disputar a reeleição.

"Temos de punir o mau trabalho"

Para Peres, a quantidade de novatos na Câmara pode mostrar que o eleitor está mudando "as pessoas em quem estão confiando". "Votando em perfis diferentes, tentando algo diferente."

A gente reclama muito da reclama muito da representação, e tem toda razão em fazer isso, mas a discussão está em outro lugar, na capacidade que a gente tem de olhar para os bons políticos e avaliar o trabalho dele, e punir o mau trabalho
Glauco Peres, cientista político

O vereador mais antigo da Câmara não é o único representante de outros estados entre os vereadores. Há parlamentares de Minas Gerais (3), Paraná (3), Rio de Janeiro (2), Bahia (1), Alagoas (1), Rio Grande do Sul (1), Piauí (1) e Mato Grosso do Sul (1). Existe também um brasileiro naturalizado. Ota (PSB) nasceu em Tomigusuku, no Japão.

A maioria é de paulistas, com 41 vereadores tendo nascido no estado. Deles, 35 são paulistanos, nascidos na capital.

Mais mulheres, mesmo com saídas

Em 2016, a Câmara tinha quatro vereadoras. Todas elas continuam na Casa e hoje têm a companhia de mais cinco, totalizando nove.

Contudo, no início da atual legislatura, as mulheres já tiveram uma representação maior e chegaram a ser 11 entre os 55 parlamentares.

Duas vereadoras deixaram seus cargos. Sâmia Bomfim (PSOL) hoje é deputada federal, e Aline Cardoso (PSDB), secretária municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho. Ambas foram substituídas por homens.

Atualmente, a Câmara possui representantes de metade dos 33 partidos existentes. São 17, a mesma quantidade de 2016, com PSDB (12), PT (9) e Democratas (6) com as maiores bancadas.

Profissão: político

Uma renovação completa na Câmara geraria uma instabilidade, na avaliação da doutoranda em ciência política na USP Telma Hoyler. Ela é pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole e estuda a atuação legislativa e territorial dos vereadores na cidade de São Paulo. "Se por um lado os novos entrantes tendem a carregar ideias mais arejadas, por outro a política não é feita apenas de boas ideias", diz.

"E vereadores mais antigos conhecem os meandros da política e mesmo os ritos formais necessários para que essas ideias se concretizem, o que os novos ainda desconhecem." Para ela, a mistura entre novatos e experientes é "salutar".

Peres avalia que a "política tem que ser vista como uma profissão" porque o "político profissional aprende como a Câmara funciona, como os projetos são aprovados". "Ele depende menos dos assessores. Se ficar trocando o tempo todo, substituindo o tempo inteiro, [a política] vai ficar nas mãos das burocracias, não do eleito."

O cientista político também diz que o eleitor não deve pensar que a representação na Câmara "vai ser feita por pessoas quase voluntaristas, que aparecem a cada quatro anos". "Isso tende a tornar o sistema muito preso nas mãos dos burocratas, o que é menos representativo do que a gente gostaria."

Errata: o texto foi atualizado
Atualmente há 9 vereadoras na Câmara Municipal de São Paulo, e não 7, como informou equivocadamente a primeira versão desta reportagem. No início do mandato, eram 11. O texto foi corrigido