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Sabará saberá? Candidato está expulso de partido, e não foi pelo jingle

Você sabia que o Sabará não sabia assoviar? Ou saberá? - Reprodução
Você sabia que o Sabará não sabia assoviar? Ou saberá? Imagem: Reprodução

Matheus Pichonelli

Colunista do UOL

22/10/2020 10h32

Toda vez que ouço o slogan de Felipe Sabará, candidato (expulso) do Novo à Prefeitura de São Paulo, fico imaginando a reunião do departamento de marketing e trocadilho da campanha.

— Precisamos colar alguma coisa em Sabará.

— Um adesivo de "pague meu lanche"?

— Não no candidato. No sobrenome do candidato.

— Hum. O que dá pra rimar numa oxítona de três sílabas terminada em "a"?

— Cilada? Se sim, que tal? "Sabará não é ciladá?"

— Cilada não é oxítona. Se mudar a sílaba forte fica forçado.

— E Sabará passará?

— Passará onde, fio?

— Sei lá. Tipo: "Eles passarão, eu Sabará".

— Meu Deus, cara.

— E "Sabará vencerá"?

— Fala sério.

— Sarará?

-- Vou nem responder.
-- "Votarás Sabará?".

— Não podes estar falando sério, estarás?

— Sabotará?

— Esquece esse negócio de currículo, bicho.

— Cassará? Negócio de combater mamata, corrupção e tal.

— Talvez alguma coisa ligada a teta de governo e "não mamará", que acha?

— Não sei. Aliás, já sei. Saberá. Sabará saberá.

Tudo aqui, claro, é especulação. Mas se alguém tiver registro da reunião, o vídeo já pode ser guardado como tesouro. "E foi assim que surgiu um dos piores trocadilhos de campanha da história desta cidade que já teve pérolas como 'Do Sting o futuro prefeito é amigão'."

O fato é que o jingle de Sabará não é só tosco. É fraudulento. Uma espécie de fake jingle.

Porque se tem uma coisa que Sabará não sabe é saber (vou apertar, mas não vou escrever agora que Sabará é como o cara que não sabia que o sabiá não sabia assobiar. Que o santo protetor do trocadilho ruim nos proteja e nos ajude a contar até dez para a tentação passar. Passará. Desculpem, não deu).

Sabará errou feio, errou rude, na própria declaração de bens. Em setembro, ele disse possuir R$ 15.686 e foi contestado pelos próprios mui amigos de partido, que viram falta de transparência por parte do herdeiro de uma gigante (e milionária) indústria de cosméticos. Falaram: "Irmão, abre essa carteira aí pra gente ver direito".

Sabará abriu e encontrou, opa, olha só, R$ 5,1 milhões, divididos entre ações, aplicações e valores em conta.

Até aí, quem nunca confundiu 15 mil com 5 milhões?

Tudo não passou de "um lapso", segundo seu advogado, sem explicar como Sabará saberá a diferença de mil e milhão quando quiser, sei lá, implodir o Minhocão sem explodir o orçamento público.

Na dúvida, o candidato para quem taxar rico é matar a fonte de empregos, poderá recorrer aos bancos, a quem aposta para estimular o empreendedorismo da população paulistana menos favorecida.

Mais recentemente, o candidato que saberá o que fazer com a cidade cometeu outro lapso ao criticar o aumento da passagem de R$ 3,30 para R$ 3,70 em uma sabatina. Só que o valor da tarifa é R$ 4,40.

Presume-se que aqui o problema não é só matemático, mas da falta de experiência —no caso, provavelmente falta ao candidato a experiência de andar de ônibus.

Se por acaso estiver sob a marquise do Minhocão e quiser voltar pra casa de transporte público, Sabará saberá?

Ninguém sabe. O que se sabe é que o candidato acaba de ser EXPULSO do próprio partido no meio da campanha.

Sabará, aparentemente, foi infectado pelo vírus que obriga candidatos a postos públicos a mentir sobre o currículo. Seu caso foi analisado pela Comissão de Ética da legenda, que decidiu: Sabará sairá.

Em vídeo, o postulante soltou gatos e lagartos sobre o presidente do Novo, João Amoêdo, e atribuiu a decisão aos flertes lançados sobre o governo Bolsonaro, a quem tem elogiado publicamente.

Seria esta a primeira vez que um candidato é alvejado pelo próprio partido em plena campanha? Quem saberá?

Sabará, de toda forma, seguirá candidato até segunda ordem. Sem partido, Sabará buscará em outros territórios apoiadores que ajudem a alavancar seu espírito empreendedor de campanha.

Em sua página no Facebook, o vídeo com o maior destaque tem uma frase estourada do apresentador José Luiz Datena, com quem aparece no card sorridente dizendo que o candidato é "inteligente, muito inteligente".

A estratégia colará? Ou daqui em diante Saberá naufragará?