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Na reta final, Crivella e Paes trocam o amor pelo terror

Os candidatos Eduardo Paes e Marcelo Crivella usaram nas propagandas depoimentos de pessoas que tiveram covid  - Reprodução de TV
Os candidatos Eduardo Paes e Marcelo Crivella usaram nas propagandas depoimentos de pessoas que tiveram covid Imagem: Reprodução de TV

Matheus Pichonelli

Colunista do UOL

23/11/2020 14h39Atualizada em 23/11/2020 14h49

A menos de uma semana das eleições e vendo seu adversário, Eduardo Paes (DEM), abrir mais de 30 pontos percentuais de vantagem, segundo as últimas pesquisas, Marcelo Crivella (Republicanos) trocou o amor pelo terror em sua propaganda eleitoral.

Desde o fim de semana o atual prefeito tem levado ao ar uma série de depoimentos de pessoas que sobreviveram à covid-19 no município. Um deles, entre lágrimas, cita nominalmente o candidato à reeleição. Os demais preferiam focar as homenagens às equipes médicas e até a Deus por terem saído dos hospitais com vida.

Quase metade da propaganda foi ocupada pelo choro e abraço entre parentes e pacientes ao fim da internação.

Na mensagem final, a candidata a vice, Andréa Firmo, afirma que já comandou uma missão de paz da ONU e sabe o "quanto é importante um comandante com experiência para passar pelo deserto e vencer os momentos mais difíceis". Ela diz que "estamos no meio da pandemia e não podemos mudar o nosso comandante agora" e pergunta: "você trocaria o piloto de um avião no meio de uma turbulência?"

Em sua fala, Crivella anuncia que tem uma segunda onda de covid-19 vindo aí e "já pensou deixar a cidade nas mãos de quem não teve a experiência que eu vivi?"

A curiosidade é que na sequência ele volta a aparecer entre beijos e abraços com Jair Bolsonaro, que já chamou a epidemia de gripezinha, pediu que o país enfrentasse a doença "de peito aberto" e classificou o risco de segunda onda de conversinha.

A questão da saúde do município também foi tratada por Paes em seu programa. Ele levou ao ar uma montagem do atual prefeito estilizado como Johnny Depp no filme "A Fantástica Fábrica de Fake News" e explorou o caso dos Guardiões do Crivella, servidores escalados pelo rival para constranger e impedir a elaboração de reportagens sobre as condições dos hospitais durante a pandemia.

O candidato, que tem elevado o tom contra o adversário, acusou Crivella de tentar calar a população e o chamou de "traíra".

Também apostando no terror, abriu amplo espaço no programa para o depoimento de uma mulher que não consegue tratamento nas clínicas do município e que viu a mãe morrer à espera de um exame. A fala ia na linha do "tudo antes era bom e hoje está péssimo".

Em outro depoimento, uma eleitora diz querer seu "ex de volta" —um mote da campanha até aqui.

Entre as propostas listadas, Paes promete combater a epidemia de ansiedade e depressão no Rio e fechou a mensagem com imagens dos cariocas sambando novamente, como se reforçasse a imagem sorumbática do adversário que não sabe sambar.

No sábado, ele já tinha levado ao ar uma propaganda mostrando os Sete Pecados de Crivella, entre as quais a "incompetência" e a "falsidade".

Na reta final, a disputa pela Prefeitura do Rio virou ringue de MMA com mensagem existencial: o inferno é o outro.