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Justiça dá 3 liminares contra França em 72 horas por distorção de pesquisas

Márcio França participa de entrevista no SBT - Reprodução/SBT
Márcio França participa de entrevista no SBT Imagem: Reprodução/SBT

Felipe Pereira

Do UOL, em São Paulo

30/10/2020 04h00

Por entender que houve direcionamento nas respostas de uma pesquisa de intenção de votos, ainda não divulgada, e exposição incorreta dos resultados de um levantamento já conhecido, a Justiça Eleitoral concedeu três liminares desde terça-feira em processos vinculados a Márcio França (PSB). Em cada caso, a Justiça determinou que o candidato a prefeito de São Paulo tem 48 horas para apresentar sua defesa.

França refutou qualquer menção a haver distorção ou direcionamento. Ele disse que situações de tendência seriam caracterizadas se as pesquisas fossem feitas em um bairro ou reduto eleitoral em que leve vantagem sobre os concorrentes. Acrescentou que vai recorrer e tem confiança na reversão das decisões.

Dois dos processos que terminaram em liminar se referem uma pesquisa feita pela Agência Badra que seria divulgada hoje. O levantamento foi encomendado pela própria empresa, mas a chapa encabeçada pelo PSDB e a chapa liderada pelo PSOL entraram na Justiça por entender que houve indução na resposta dos eleitores favorecendo França.

Ambas argumentaram que, antes da pergunta sobre qual candidato a prefeito o entrevistado escolheria, era questionado qual foi o voto para governador na eleição em 2018: João Doria ou Márcio França. A reclamação é que desta forma a pessoa era induzida a responder Márcio França.

O PSDB obteve liminar favorável na terça-feira e o PSOL ontem. A pesquisa não foi encomendada pela chapa de França, que ressaltou não ter realizado nenhum levantamento até o momento, mas o PSOL reclamou que há ligação entre a agência e o candidato. A afirmação aparece na petição enviada pelo partido.

Além disso, a assessoria de imprensa da chapa citou que a Badra prestou serviços ao PSB e a França. O material em questão é um vídeo promocional divulgado no YouTube e feito a partir de um evento na Praça Charles Miller, na frente do estádio do Pacaembu.

Coordenador da campanha de França à Prefeitura de São Paulo, Anderson Pomini declarou que a chapa não foi mencionada na ação. Ele também reclamou que o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, preferiu atacar trabalhadores da agência. Por fim, afirmou que espera a reversão da decisão da Justiça Eleitoral.

"Não somos representados na ação. No entanto, basta a simples leitura da petição para se verificar que o candidato Boulos preferiu atacar os profissionais trabalhadores estatísticos e a empresa de pesquisa, em vez de demonstrar com argumentos técnicos e jurídicos a suposta irregularidade, objeto do seu inconformismo. A referida decisão possivelmente será reformada", disse Pomini sobre a liminar a favor do PSOL.

Márcio França declarou que a pesquisa não tem qualquer relação com sua campanha. Ressaltou que são duas liminares, ou seja, decisões provisórias. O candidato reclamou que é alvo de ações na Justiça Eleitoral porque está crescendo nas pesquisas. Declarou que o PSDB e o PSOL sabem que é um adversário mais difícil no segundo turno, por isso entraram com ações.

"Toda a vez que eu começo a crescer eles começam a entrar com ação."

Consultor em análise de pesquisa de opinião da Badra, Maurício Juvenal afirmou que cumprirá a decisão liminar, mas apresentará no prazo estipulado seu argumento técnico e defesa no prazo estipulado. Ele considerou "infundada e irresponsável" a argumentação da campanha de Guilherme Boulos de haver uma ligação da agência com a campanha do PSB em 2018.

"A Badra Comunicação não prestou qualquer tipo de serviço nem à campanha e nem ao PSB, algo facilmente comprovável com uma simples consulta às contas eleitorais daquele ano. Boulos, por meio de sua coligação, recorre à mentira não só como forma de preservar algo que é natural à sua postura, mas também na tentativa de induzir o Juízo a erro."

Justiça manda tirar resultado de pesquisa das redes sociais

A terceira liminar da Justiça Eleitoral contra França é de ontem e se refere à maneira como ele usou os resultados de uma pesquisa nas redes sociais. O pedido foi feito pela chapa encabeçada pelo PSDB, que reclamou haver distorção. Para fundamentar a solicitação, foi dito que o candidato do PSB somou os eleitores que com certeza votariam em um candidato e aqueles que consideravam esta possibilidade.

O pedido feito à Justiça Eleitoral argumentou que, desta forma, o candidato do PSB saltou de forma artificial do quarto para o segundo lugar. Esta interpretação do resultado foi veiculada nas redes sociais de França na manhã de ontem. Ao decidir pela liminar, o juiz Guilherme Silva e Souza determinou a retirada imediata das peças do ar.

Márcio França disse que discorda de decisão, porque disponibilizou um dado que está ao alcance de todos no TRE (Tribunal Regional Eleitoral). Acrescentou que a soma dos dois tipos de intenção de voto mostra o potencial de cada candidato e conclui dizendo que, se não fosse uma informação importante, não estaria na pesquisa.

O candidato do PSB afirmou que não é a primeira eleição em que adversários usam de ações para tentar frear sua subida.

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