PUBLICIDADE
Topo

Covas diz que combaterá "radicais" no 2º turno e aceitará qualquer apoio

Anaís Motta, Emanuel Colombari, Felipe Pereira, Juliana Arreguy e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

15/11/2020 23h01Atualizada em 16/11/2020 16h28

Atual prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) agradeceu seus eleitores, na noite de hoje, pela "espetacular vitória no primeiro turno" da eleição na capital paulista.

A declaração foi dada antes mesmo da parcial divulgada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostrar o tucano com 32,85% dos votos, com 99,67% das urnas apuradas. Guilherme Boulos (PSOL), com 20,24%, será o adversário de Covas no segundo turno.

No diretório estadual do PSDB, nos Jardins, Covas afirmou que irá combater o que chamou de "radicalismo" na campanha. Indagado se Boulos, seu adversário político, se enquadra no que chamou de radical, Covas sugeriu para a imprensa interpretar.

São Paulo disse que quer experiência, continuar sonhando com redução de desigualdade social, garantindo através da responsabilidade fiscal, justiça social. A esperança venceu os radicais no primeiro turno e vai vencer os radicais no segundo turno."

Boulos, que se projetou à frente do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), interpretou que o "radicalismo" foi direcionado a ele. E respondeu, também na noite de hoje, em sua casa, no Campo Limpo, que radicalismo é a maior cidade do país ter pessoas morando nas ruas e caçando comida em lixeiras.

Para Covas, se enquadram em "radicalismo" os desrespeitos à ordem, democracia e união de forças. À frente do MTST, Boulos já foi citado por tucanos como desordeiro ao ocupar terrenos e residências para famílias sem-teto.

São Paulo quer eleger um prefeito, não quer eleger ninguém que seja anti, que seja totalitarista, que seja radical."

Apesar das alfinetadas, Covas ressaltou que é preciso respeitar seu adversário político. "Ninguém é o segundo colocado na maior cidade do Brasil à toa. Se ele chegou, merece respeito, chegou por votos do povo."

O tucano acredita que os debates no segundo turno serão feitos de maneira respeitosa e propositiva.

Com críticas a Bolsonaro, ele aceita "todos" os apoios

Covas interpretou que o grande derrotado das eleições municipais foi o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que anunciou apoio a Celso Russomanno (Republicanos). "Grande erro do presidente ter tentado se intrometer na campanha na cidade de São Paulo. A população refutou, ele é um dos grandes perdedores dessa eleição", disse.

Apesar disso, afirmou que "apoio não se nega" e que aceitaria o apoio público de Russomanno. "A preocupação até ontem à noite era com o primeiro turno. Amanhã, às 8h haverá uma reunião de campanha, mas a ideia é ampliar ainda mais as forças."

Estratégia para o segundo turno

Em seu pronunciamento, Covas mencionou a palavra "experiência" algumas vezes. Integrantes da campanha do prefeito informaram que a estratégia no segundo turno continuará a ser mostrar realizações durante a gestão.

O tucano assumiu a Prefeitura em 2018, quando João Doria (PSDB) deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo.

São Paulo foi às urnas e mostrou que não era momento, que não queria revanche de 2018 ou antecipar as eleições de 2022. Focamos no tema da cidade de São Paulo e ganhamos essa eleição no primeiro turno. São Paulo não esta a reboque de ideologias ou partidos políticos."

O candidato do PSDB deve seguir uma tática que emprega desde o começo da propaganda no rádio e TV, em 9 de outubro. Nas primeiras peças veiculadas, Covas lembrou que enfrentou viaduto cedendo, enchente, fogo em um prédio no centro e a pandemia de covid-19. Na sequência, elencava como lidou com os problemas.

Esta estratégia também apareceu nos debates, ocasiões em que o prefeito falava que os adversários vendiam promessas e ele, resultados. Por trás deste discurso, existe a avaliação de que em 2018 a população escolheu a renovação da "nova política", mas não houve os resultados administrativos, apenas polêmicas improdutivas. Agora, a experiência virou uma arma.

Apuração em SP

Segundo o TSE, por volta das 23h45, com 99,67% das urnas apuradas, São Paulo tinha Covas na liderança, com 32,85% dos votos válidos (1.747.938 votos), e Guilherme Boulos (Psol) logo atrás, com 20,24% (1.077.168).

Depois, vêm Márcio França (PSB), com 13,65%; Celso Russomanno (Republicanos), 10,50%; Arthur do Val (Patriota), 9,78%; Jilmar Tatto (PT), 8,65%; e Joice Hasselmann (PSL), 1,84%.

O percentual de votos nulos era de 10,11%, enquanto 5,87% dos eleitores votaram em branco.

Embora a apuração esteja em ritmo avançado, o Placar UOL Eleições, abastecido pelo sistema do TSE, continua apresentando um certo atraso em relação às urnas apuradas.

Isso porque, conforme explicou o presidente do tribunal nesta noite, ministro Luís Roberto Barroso, o sistema de totalização e divulgação dos resultados do TSE teve uma pane técnica, uma falha em um dos processadores, que atrasou todo o processo.

Apesar disso, Barroso reforçou que o atraso não compromete a lisura do processo eleitoral. Ele ainda negou qualquer relação entre a falha no processador e a tentativa de ataque cibernético ao sistema que ocorreu na manhã de hoje.