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Não há uma liderança que sozinha vai redimir a esquerda em 2022, diz Dino

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/11/2020 09h39

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse nesta segunda (30) que um dos recados passados pelas eleições municipais deste ano é que, em 2022, nas presidenciais, a esquerda não irá se redimir por meio de uma única figura. Para Dino, é preciso unir fazer uma aliança entre os partidos caso a esquerda queira chegar ao segundo turno do pleito.

"Uma aliança eleitoral de partido em 2022, que reúna forças [de esquerda e] de centro-direita, eu realmente não acredito nisso. Agora, miro o tempo inteiro na chamada frente ampla progressista. Para disputarmos o primeiro turno, não correr o risco de ficar fora do segundo. Esse é o ponto: para limpar a mesa de mitificações, de que agora, A, B ou C vai sozinho redimir a esquerda. Esse é um erro gravíssimo, que pode conduzir a um desastre em 2022. Qual seria o desastre? Ficarmos fora do segundo turno", disse, sem citar nomes, em entrevista ao UOL conduzida pelo colunista Leonardo Sakamoto.

Dino declarou também que é impossível ter um projeto vitorioso de esquerda em 2022 sem apoio do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da SIlva.

Ontem, durante a votação das eleições municipais, Dino foi ao seu colégio eleitoral com uma camiseta escrito "Lula Livre". Questionado sobre o motivo da homenagem, o governador foi enfático ao defender uma aliança com o PT.

A camiseta foi uma alusão ao que tenho dito e reiterado: é impossível construir um projeto vitorioso da esquerda brasileira se não partir da liderança do ex-presidente Lula. Não significa que ela seja suficiente, não é, claro que não, mas não é dispensável, descartável, nenhuma esquerda séria no Brasil pode partir dessa ilusão que você vai construir um projeto vitorioso sem o PT, contra o PT sem o Lula e contra o Lula. Por isso fiz questão de vestir aquela camiseta par lembrar que o PT é imprescindível. repito: é suficiente? Claro que não, mas é indispensável

Dino analisou que, mais uma vez, partidos mais à direita do espectro ideológico saíram vitoriosos nas eleições. Cinco partidos de centro-direita conquistaram o maior número das grandes prefeituras do Brasil.

O governador frisou que é preciso uma nova ofensiva, numa parceria entre partidos de esquerda. "Então, é preciso analisar que tivemos alguns êxitos, não é terra arrasada. Mas continuamos numa ofensiva da direita. A direita foi amplamente vencedora na eleição municipal. Temos que unir do lado daqui para enfrentar essa ofensiva", disse.

*Colaboraram Andréia Martins, Ana Carla Bermúdez, Felipe Oliveira, Leonardo Martins e Wanderley Preite Sobrinho.