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Pacheco encontra Moraes, diz confiar na urna e crer em paz no 7 de Setembro

do UOL, em Brasília

22/08/2022 18h08Atualizada em 23/08/2022 14h36

O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou hoje que não há fato que possa deslegitimar o sistema eleitoral ou base que demonstre justa causa em questionamentos à segurança das urnas eletrônicas. A declaração foi feita pelo senador após reunião realizada nesta tarde com o ministro Alexandre de Moraes, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O encontro foi considerado internamente como uma praxe institucional, mas evidencia a abertura do gabinete de Moraes em costurar um alinhamento com o Legislativo para o combate ao discurso de ódio e fake news.

O UOL apurou que a conversa discutiu pautas prioritárias da presidência do ministro, como a defesa da democracia e o sistema eleitoral. A reunião durou cerca de uma hora e 40 minutos.

Ao sair, Pacheco fez uma declaração em defesa das urnas, afirmando que o modelo adotado foi uma opção feita desde 1996 e que tem "plena confiança" que a eleição transcorrerá dentro da normalidade.

Não há nenhum tipo de fato que possa descredenciar ou deslegitimar esse método [sistema eletrônico de votação]. Não há base que demonstre justa causa em questionamentos feitos ao sistema eleitoral"
Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso Nacional

Pacheco disse que não tratou das sugestões das Forças Armadas ao sistema eleitoral com Moraes e afirmou acreditar que não haverá questionamentos ao resultado das urnas.

"Naturalmente, as instituições têm que cuidar de todas as hipóteses, possibilidades e perspectivas. Mas a perspectiva que nós temos é que a maturidade política brasileira, a força das instituições, a força da nossa democracia prevalecerão sobre qualquer tipo de arroubo de retrocesso democrático", disse.

7 de Setembro de 'ordem e paz'

O presidente do Congresso disse ainda acreditar em um feriado de 7 de Setembro será marcado pela ordem e pela paz, apesar das convocações de Jair Bolsonaro (PL) para atos pelo país — a expectativa é que o presidente evite confronto e ataques direto a juízes, deferentemente do que fez no ano passado, quando chegou a chamar Moraes de canalha e pregar a desobediência ao Supremo.

Para Pacheco, questões de segurança contra eventuais "excessos" neste ano devem ser discutidas pelas gestões estaduais.

"O que nós esperamos é que haja manifestações ordeiras, pacíficas, legítimas, respeitamos tudo isso. As questões de segurança em razão de eventuais excessos que podem acontecer por grupos, que não tenho dúvida são minoritários, é papel das forças de segurança de cada um dos estados através de suas polícias para inibir qualquer tipo de atitude que não seja democrática e republicana", disse.

Defesa se reúne amanhã

O encontro entre Moraes e Pacheco ocorreu na véspera da reunião entre o presidente do TSE e o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira. A conversa entre os dois está prevista para amanhã (23) também no gabinete do magistrado.

A reunião entre Moraes e Nogueira é vista como um sinal de reaproximação do TSE com os militares e ocorre em um momento em que as relações entre a Corte e as Forças Armadas ficaram tensionadas após sucessivos questionamentos sobre o sistema eleitoral.

Moraes tomou posse na terça (16) com o desafio de retomar as relações com a caserna, que desandaram durante a presidência de Fachin.

Em um de seus últimos atos à frente da Corte, Fachin retirou da comissão fiscalizadora das Forças Armadas o coronel Ricardo Sant'Anna, que divulgou informações falsas sobre as urnas em redes sociais. O despacho, inclusive, foi assinado em conjunto com Moraes.

A medida desagradou o Exército, que, em nota, disse que desistiria de enviar um substituto e que o coronel havia sido selecionado pela sua "inequívoca capacitação técnico-científica e de seu desempenho profissional".

Apesar disso, Moraes tem mais interlocução com a caserna que seu antecessor, ponto que passou a ser visto como positivo por integrantes da Defesa para uma reaproximação, como mostrou a colunista Carla Araújo, do UOL. O general Paulo Sérgio Nogueira tem um bom trâmite com o ministro desde a época em que estava no comando do Exército.

Embora endosse as críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral, Nogueira tem dito a interlocutores que espera uma melhora do diálogo com o TSE na gestão de Moraes.

Moraes tomou posse na terça passada (16) com um forte discurso em defesa das urnas e prometeu um combate "implacável" da Corte às fake news contra o sistema eleitoral. Moraes afirmou que a interferência da Justiça sobre as eleições será mínima, mas que ela não permitirá abusos do direito à liberdade de expressão.