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Internacional

Acordos modestos e gafes marcam visitas de presidentes dos EUA ao Brasil

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em Brasília

18/03/2011 16h00

Quando Barack Obama pousar na Base Aérea da capital federal neste sábado (19), ele se tornará o nono presidente dos Estados Unidos a visitar a principal potência da América Latina. Seus antecessores que passaram pelo Brasil fecharam alguns acordos importantes, mas, assim como o atual ocupante da Casa Branca, vieram ao país mais por relações públicas do que para promover acordos. Gafes vieram de brinde.

Analistas ouvidos pelo UOL Notícias dizem que a visita mais importante de um presidente americano ao Brasil aconteceu em 1943. Franklin Delano Roosevelt encontrou-se com o ditador Getúlio Vargas em Natal e, informalmente, selou acordos para a adesão do gigante sul-americano aos aliados na Segunda Guerra Mundial. Depois disso, as vindas de mandatários dos EUA trouxeram resultados menos portentosos.

“O acerto com Getúlio foi importante, permitiu aos EUA o uso da base militar de Natal e isso foi estratégico na 2ª Guerra, para combater os nazistas no norte da África”, disse o cientista político David Fleischer, americano naturalizado brasileiro e professor da UnB (Universidade de Brasília). “Mais tarde houve outros momentos, mas sem a mesma dramaticidade. A visita de Obama é, como as anteriores, por relações públicas.”

O antecessor de Obama, George W.Bush, esteve duas vezes no Brasil a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na segunda passagem, em 2007, falou com entusiasmo sobre a produção de biocombustíveis. Enquanto os brasileiros se esforçavam para vender combustível de mamona e de cana-de-açúcar, os americanos insistiam na fabricação com base em milho, o que poderia gerar uma crise de alimentos. Nada mudou.

No sentido contrário, Jimmy Carter veio ao país em 1978 para se reunir com o ditador Ernesto Geisel. Cobrou respeito aos direitos humanos de torturados e de presos políticos. A abertura brasileira, depois da visita, continuou lenta, gradual e segura, até 1985. Em 1960, Dwight Eisenhower reuniu-se com Juscelino Kubitschek para falar em aliança democrática. A ditadura, com a ajuda dos EUA, instalou-se em 1964.

Para Luciano Dias, do IBEP (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos), os acordos podem ter sido modestos, muitas vezes nem sequer finalizados, mas apenas a presença do comandante-em-chefe mais poderoso do mundo já justifica a atenção pela viagem. “O sentido da vinda desses presidentes, incluindo Obama, não é firmar pactos, embora isso sempre possa ajudar. O objetivo é sempre sinalizar alianças, e isso ele vai fazer aqui.”

Gafes

As visitas também incluem gafes memoráveis. Na última, Bush ouviu Lula falar sobre a necessidade de um “ponto G” na relação entre os dois países. “Ele disse isso mesmo?”, perguntou o antecessor de Obama a seu tradutor. E riu. O ex-presidente brasileiro admitiu que provavelmente cometeu vários outros deslizes nas conversas privadas porque ambos se trataram como amigos – embora o americano mal o tenha citado em sua biografia.

Em 1982, nos anos derradeiros da ditadura brasileira, Ronald Reagan se encontrou com João Figueiredo e aderiu a uma prática do militar: andar a cavalo. Mas desagradou ao chamar seus hóspedes de bolivianos. Os americanos atribuem a falha aos primeiros sinais do mal de Alzheimer, doença com a qual ele morreria em 2004.

Há entre diplomatas do Itamaraty uma história já folclórica da visita do presidente Harry Truman em 1947. O mandatário brasileiro, Eurico Gaspar Dutra, não falava inglês e recebeu do cerimonial a recomendação de apenas repetir o que o americano dissesse, para em seguida eles se perfilarem e começarem os hinos nacionais. “How do you do, Dutra?” (Como vai você, Dutra? em inglês). A resposta teria sido: “How tru you tru, Truman?”

Outra visita que rendeu gafe foi a de Eisenhower, em 1960. Em uma fase tensa da Guerra Fria com a União Soviética e com o Brasil já sob a ameaça de um golpe militar, o americano foi surpreendido com um afetuoso beijo na mão, como se fosse o padrinho da nação, dado pelo então governador da Bahia, Octávio Mangabeira. Possível próximo capítulo: este sábado pela manhã.

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