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Internacional

Desigualdade mundial diminui, mas 1,57 bilhão ainda vive na pobreza

Flávio Ilha

Do UOL, em Porto Alegre

14/03/2013 13h00

Apesar dos avanços registrados em 2012 no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) mundial, a ONU (Organização das Nações Unidas) ainda estima que 1,57 bilhão de pessoas vivam em estado de “pobreza multidimensional”, o que representa cerca de 30% do universo da população avaliada.

De acordo com o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), "pobreza multidimensional” é aquela em que há carências em várias dimensões, como saúde, educação e renda. O  IPM (Índice de Pobreza Multidimensional) foi criado para ir além das medidas tradicionais de pobreza, que se baseavam apenas na renda. De acordo com o índice, calculado em 104 países (muitas nações não têm dados suficientes para o cálculo), 2,7% dos brasileiros sofrem de pobreza multidimensional.

IDH pelo mundo

  • Arte/UOL

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O cálculo de pobreza foi divulgado nesta quinta-feira (14) junto com o IDH, referência mundial para avaliar o desenvolvimento humano a longo prazo. O índice é calculado a partir de três variáveis: vida longa e saudável (medida pelo indicador expectativa de vida), acesso ao conhecimento (medido pelos índices média de anos escolaridade em adultos e anos esperados de estudo) e um padrão de vida decente (calculado a partir da renda nacional per capita).

“Em muitos dos países do hemisfério Sul com crescimento acelerado, a população que vive em condições de pobreza multidimensional supera a que sofre pobreza de renda. Por sua vez, o grau de desigualdade na renda aumenta em muitos países”, alerta o documento.

O número de pobres pelo cálculo do Pnud supera o montante calculado apenas segundo a renda mínima de US$ 1,25 (R$ 2,50) por dia – nessa condição, estão 1,14 bilhão de pessoas no mundo.

No relatório divulgado agora, o 22º da história, o tema é a ascensão do hemisfério Sul no cenário econômico mundial.  De acordo com os dados de 2012, nenhum dos países com informações disponíveis reduziu seu índice de desenvolvimento em relação aos resultados de 12 anos atrás. O estudo também afirma que se produziu uma convergência nos valores do índice em nível mundial – ou seja, no universo de 104 países analisados pelo índice de pobreza multidimensional, as condições sociais e econômicas ficaram menos desiguais.

Pelos dados divulgados nesta quinta-feira, os países com IDH inferior a 0,439 caíram para 15 em 2012 – esse contingente era de 33 países em 1990. Por outro lado, as nações com IDH igual ou superior a 0,731 passou de 43 em 2000 para 59 em 2012.

O progresso social, diz o documento, foi particularmente rápido em mais de 40 países do hemisfério Sul, cujas melhorias do IDH foram “notavelmente superiores às previstas” para países que tinham um índice de desenvolvimento similar em 1990. O relatório cita vários países africanos e também China, Brasil, México e Chile.

Além disso, o levantamento projeta maior equilíbrio mundial em função do avanço da produção industrial de China, Brasil e Índia. Pela primeira vez o relatório aponta que a produção combinada desses países é praticamente igual ao PIB combinado das economias consolidadas do hemisfério Norte: Canadá, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos. “Essa situação significa um reequilíbrio impressionante do poder econômico mundial”, descreve o texto.

Daqui a sete anos – em 2020, projeta o Pnud –, a produção combinada de Brasil, China e Índia vai superar a produção total dos líderes econômicos do Norte, em grande parte devido a novas associações de comércio e tecnologia entre os países do próprio hemisfério Sul. Em 2050, serão responsáveis por 40% da produção mundial, superando amplamente os países do G7. Em 1950, os três países representavam menos de 10% da economia mundial.

“Uma mensagem-chave é que o crescimento econômico por si só não se traduz automaticamente no desenvolvimento humano. Políticas a favor dos pobres e investimentos significativos nas capacidades da população podem expandir o acesso ao trabalho digno e propiciar um desenvolvimento sustentável”, diz a administradora do PNUD, Helen Clark.

Mas a pobreza continua como um desafio. Mesmo assim, o PNUD destaca que o primeiro objetivo de desenvolvimento do milênio – um conjunto de oito medidas pactuado em 2000 cujo primeiro item prevê reduzir a população que vive com até US$ 1,25 ao dia – foi alcançado em escala mundial três anos antes do prazo previsto, especialmente pelas políticas de erradicação da pobreza no Brasil, na China e na Índia. O Brasil, de acordo com a pesquisa, passou de 17,2% da população em estado de pobreza pelo nível de renda em 1990 para 6,1% em 2009.

Países “médios”

O IDH médio dos países pesquisados pelo Pnud em 2012 foi de 0,694, em um universo que varia de 0,905 (muito alto) a 0,466 (muito baixo). O IDH médio significa uma expectativa de vida de 70,1 anos ao nascer, 7,5 anos de escolaridade média e renda per capita bruta de US$ 10.184. A média da América Latina e Caribe ficou em 0,741.

Os países que mais se aproximaram desse índice médio foram o Turcomenistão, na Ásia Central, e a Tailândia, no Sudeste Asiático. Mas, apesar de figurarem lado a lado na faixa média de desenvolvimento humano, as diferenças entre ambos são grandes: enquanto a expectativa de vida do primeiro é de 65,2 anos, no segundo chega a 74,3. No caso da educação, as posições se invertem: enquanto o número médio de anos de escola chega a 9,9 no Turcomenistão, na Tailândia não passa de 6,6. O número indicador similar é a renda per capita: R$ 7.000, bem abaixo da média apontada pelo Pnud.

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