Novo cardeal, dom Orani Tempesta defende protestos pacíficos e 'rolezinho'

Do UOL, em São Paulo

  • Antonio Lacerda/Efe

    Dom Orani Tempesta, conversa com o papa Francisco durante visita a clínica de viciados em drogas, em julho de 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio; o arcebispo foi nomeado cardeal hoje

    Dom Orani Tempesta, conversa com o papa Francisco durante visita a clínica de viciados em drogas, em julho de 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio; o arcebispo foi nomeado cardeal hoje

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, 63, foi nomeado cardeal neste sábado (22), pelo papa Francisco, no Vaticano. Este é o primeiro consistório de Francisco, no qual entregará o solidéu vermelho aos 19 novos cardeais que vão integrar o Colégio Cardinalício. A cerimônia contará com a presença da presidente Dilma Rousseff.

Natural de São José do Rio Pardo (a 254 km de SP), dom Orani foi arcebispo de Belém (PA) e atualmente está à frente da Arquidiocese do Rio. O arcebispo, que se aproximou do papa Francisco durante a JMJ (Jornada Mundial da Juventude), realizada em julho de 2013 na capital fluminense, parece estar em sintonia com o perfil do pontífice: dom Orani é conhecido por ir às ruas e estar próximo dos fiéis, bem como por sua postura de conciliador.

Dom Orani já demonstrou, em mais de uma ocasião, sua simpatia às manifestações que tomam as ruas do país desde junho do ano passado. Ao lamentar a morte do cinegrafista da Band Santiago Andrade, morto após ser atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto no último dia 6, dom Orani disse que cabe às autoridades "assegurar o direito às manifestações democráticas" e "coibir a violência".

O anúncio de que dom Orani e outros 18 seriam nomeados cardeais foi feito no dia 12 de janeiro, mas mesmo antes disso o arcebispo já havia se posicionado de forma favorável aos manifestantes.

Em junho de 2013, a um mês da visita do papa Francisco ao Brasil, quando os protestos pela redução das tarifas do transporte coletivo ganhavam força em diversas capitais, dom Orani divulgou nota na qual pedia "serenidade" em um "momento de ânimos exaltados", mas afirmava defender a "livre manifestação pacífica".

Dom Orani também defendeu os jovens frequentadores dos chamados "rolezinhos" em shoppings. A declaração foi dada dias após o anúncio de sua nomeação como cardeal. "Acho que devemos promover as pessoas para que todos possam ter aquilo que é a dignidade humana e também ter uma qualidade de vida melhor", disse na ocasião.

Gays e aborto

Quando o assunto se volta a temas caros à Igreja Católica, como aceitação dos homossexuais, o arcebispo também adota uma posição conciliadora. Em entrevista publicada no último dia 8 na versão brasileira do jornal "El País", o arcebispo disse que o homossexualismo "é uma opção das pessoas" e que é preciso "se respeitar mutuamente". "Minha insistência é que realmente saibamos trabalhar de modo que a sociedade respeite as diferenças", afirmou.

Na mesma entrevista, dom Orani tratou de outro tema polêmico, o aborto, para ele "uma questão séria, de situação de morte", e destacou a importância do perdão às mulheres que confessam ter feito um aborto. "O papa lembra que a igreja é mãe, de embalar, pegar no colo. Creio que a igreja tem que ser essa mãe, que faz o papel de curar", disse.

Entre os papéis desempenhados pelos cardeais está a participação no Conclave e nos consistórios, que são reuniões para tratar de temas da igreja. Além disso, a nomeação de dom Orani e dos demais cardeais ocorre bem no momento em que está em curso a reforma da Cúria Romana, que é o governo da Igreja Católica.

Ao comentar sua nomeação, dom Orani disse que o posto era uma "grande responsabilidade, com dimensão universal". "Acho que o cardeal deve sempre estar com Cristo, e esta é a minha missão, olhar com Cristo o mundo de hoje, ver como posso contribuir com o santo padre na sua missão universal", afirmou. "Peço ao povo e a Deus que reze para que eu tenha capacidade de exercer essa missão", concluiu.

Pontificado de Francisco
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