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'Ainda não estamos mortos', diz mensagem enviada durante naufrágio

Mulher chora ao telefone, enquanto espera juntamente com outros parentes de passageiros a balsa Sewol, por mais informações sobre sobreviventes - Kim Hong-Ji/Reuters
Mulher chora ao telefone, enquanto espera juntamente com outros parentes de passageiros a balsa Sewol, por mais informações sobre sobreviventes Imagem: Kim Hong-Ji/Reuters

Do UOL, em São Paulo

17/04/2014 19h34Atualizada em 17/04/2014 21h49

“Nós ainda não estamos mortos”, diz a mensagem de celular enviada por uma estudante, enquanto a balsa Sewol adernava com 475 passageiros a bordo, a 20 km da costa no litoral sudoeste da Coreia do Sul. A maioria era de alunos da escola de ensino médio Danwon, na cidade de Ansa, que saíam para uma viagem de quatro dias com os professores. A embarcação afundou na terça-feira (15) (dia 16, no fuso local) e até agora 179 passageiros e tripulantes foram resgatados, entre eles o capitão, que pediu desculpas pelo naufrágio.

As mensagens, que têm sido veiculadas pelas emissoras de TV e jornais sul-coreanos, relatam momentos de medo dos passageiros, entre eles 325 estudantes do ensino fundamental e médio, que utilizaram seus celulares para se comunicar com os pais.$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-infografico','/2014/naufragio-de-balsa-em-seul-na-coreia-do-sul-1397768276453.vm')

"Não tenho conexão de internet. Então estou mandando um SMS", diz uma das mensagens de texto enviadas, segundo a rede americana CNN. "Há poucas pessoas no navio, não consigo ver nada, está tudo escuro. Tem alguns homens e algumas mulheres aqui e as mulheres estão gritando".

Outro estudante tentou pedir socorro à mãe. “Há umas poucas pessoas no barco e nós ainda não estamos mortos, então, por favor, passe esta mensagem adiante.”

A mensagem mais dramática repercutiu no mundo inteiro. “Mãe, caso eu não consiga te dizer pessoalmente, estou enviando isto [o SMS]. Eu te amo”, diz o texto enviado por um menino, segundo a agência YTN, afiliada da rede americana CNN. A mãe, sem entender, perguntou: “Por quê?”. Logo depois, ela resolveu mandar outro SMS. “Eu também te amo, filho.”

Alguns familiares, entretanto, chegaram a receber relatos do que acontecia e deram conselhos às crianças. Um pai disse ao filho adolescente para sair de sua cabine, para que as equipes de resgate pudessem encontrá-lo mais facilmente.

“Não, eu não posso sair daqui porque [o barco] está muito inclinado. É muito perigoso para se mover”, explicou ao pai.

Mais tarde, o adolescente voltou a entrar em contato via SMS. “Não, pai, eu não posso andar agora. Não tem nenhum estudante no corredor. E está muito inclinado”.

Outro passageiro contou ao irmão via mensagem de texto que houve problemas na viagem para a Ilha de Jeju. “O navio foi atingido por alguma coisa e não está se movendo e a Guarda Costeira está a caminho”, teria escrito.

As autoridades sul-coreanas não confirmaram a causa do naufrágio da balsa Sewol, mas chegaram a dizer que havia a possibilidade de a embarcação ter feito uma manobra rápida, que teria deslocado os veículos e contêineres a bordo, desequilibrando o barco.

A balsa seguia sua rota de Incheon, no noroeste da Coreia do Sul, para a Ilha de Jeju –uma viagem de 14 horas. A embarcação estava a três horas de seu destino, quando enviou o pedido de socorro. O navio adernou para um lado e afundou a 20 km da costa.

As equipes de buscas enfrentam dificuldades com ventos fortes, correntes e baixa temperatura da água no resgate aos sobreviventes. A operação envolve 500 mergulhadores, 171 navios e 29 helicópteros e aviões. 

Nesta quinta-feira (17), o presidente americano Barack Obama enviou suas condolências às famílias sul-coreanas atingidas pela tragédia da balsa Sewol.

Grave pecado

O presidente da Chonghaejin Marine Corporation, empresa que opera a balsa Sewol, que afundou no litoral da Coreia do Norte com 475 passageiros a bordo, disse que executivos cometeram um "grave pecado".
 
Kim Han-sik teve de ser apoiado por dois homens, durante seu pedido de desculpas oficial para as famílias das vítimas. 
 
De acordo com informações da companhia, ele tentou ir até o porto acompanhar as buscas, mas desmaiou no caminho e foi levado ao hospital. 
 

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