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Conheça 7 curiosidades sobre Guiné Equatorial, homenageado pela Beija-Flor

Teodoro Obiang Nguema, ditador desde 1979, é o líder africano há mais tempo no poder - Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Teodoro Obiang Nguema, ditador desde 1979, é o líder africano há mais tempo no poder Imagem: Amr Abdallah Dalsh/Reuters

Do UOL, em São Paulo

18/02/2015 21h36

O Carnaval do Rio de Janeiro de 2015 teve um coadjuvante inusitado: Guiné Equatorial, que foi tema do enredo da Beija-Flor, que se sagrou nesta quarta-feira (18) campeã do desfile das escolas de samba do Grupo Especial.

Segundo reportagem do jornal "O Globo", a escola teria recebido R$10 milhões do país como forma de patrocínio, o que foi negado pelo embaixador da Guiné Equatorial no Brasil, Benigno-Pedro Tang. Ele, que desfilou no último carro alegórico, disse ao jornal “O Estado de São Paulo” que “financiadores culturais” deram uma quantia à Beija-Flor. “O governo não tem nada a ver com isso”, argumentou.

E o que há de especial em Guiné Equatorial, que inspirou o enredo "Um Griô Conta a História: um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade"? O UOL listou sete curiosidades sobre o país do oeste africano de 1,6 milhão de habitantes, quatro vezes menos que a cidade do Rio de Janeiro, e 28 mil m² de extensão territorial --o equivalente ao Estado do Alagoas, a terceira menor unidade federativa do Brasil.

País tem hoje a ditadura mais antiga da África
Teodoro Obiang Nguema Mbasogo assumiu o poder em 1979, quando deu um golpe no antigo presidente –que era seu tio, Francisco Macías Nguema, acusado de assassinar opositores em massa. Obiang virou oposição, assumiu o comando à força e condenou seu tio à morte por fuzilamento. Hoje, ele é o mais antigo ditador da África entre os países reconhecidos pela ONU, apesar de Guiné Equatorial ter passado por eleições presidenciais no período –em que Obiang apareceu como único candidato ou venceu com mais de 90% dos votos, em pleitos vistos como fraudulentos por instituições internacionais. Ele é acusado de reprimir violentamente seus opositores, e Guiné Equatorial é constantemente apontado pela Freedom House, ONG americana que mede as liberdades civis e os direitos políticos dos países, como um dos piores nesses quesitos.

Maior parte da população vive na pobreza
Guiné Equatorial passou por uma virada em termos econômicos a partir da década de 1990, quando grandes reservas de petróleo foram encontradas no país –hoje, é o terceiro maior produtor da África subsaariana. O dinheiro que entrou, no entanto, não chegou à maior parte da população. Segundo a ONU, o IDH do país mede 0,556 e o coloca como 144º do mundo –é o último, na lista de 2014, entre os considerados de “médio desenvolvimento”. Ainda de  acordo com as Nações Unidas, menos da metade da população tem acesso a água potável e quase 10% das crianças morrem antes dos cinco anos.

Rica, família do ditador gosta de ostentar e é fã de Michael Jackson
O dinheiro do petróleo pode não ter chegado aos bolsos da população, mas ajudou a fazer de Obiang um dos chefes de estado mais ricos do mundo – em 2006, sua fortuna chegou a US$ 600 milhões, de acordo com a revista Forbes. Os contatos com as petroleiras e os bancos americanos levou o filho do ditador, Teodorin, hoje vice-presidente do país, a Malibu (Los Angeles), onde ele teria comprado uma mansão de US$ 30 milhões, segundo o site 100Reporters. Além de ostentar em lojas de luxo como Dolce & Gabanna e Louis Vuitton, Teodorin ainda adquiriu relíquias de Michael Jackson, como a luva de cristais que o cantor usou na turnê “Bad”, na década de 1980.

O Departamento de Estado americano endureceu com o ditador a partir de 2008, apontando diversas violações de direitos cometidos pelo regime de Obiang, e os negócios da família nos Estados Unidos passaram a ser investigados. Apesar de Teodorin negar que seu dinheiro tenha sido proveniente de atos corruptos realizados no país comandado por seu pai, ele fez um acordo com a Justiça americana no último mês de outubro no qual se comprometeu a vender a mansão em Malibu, as relíquias de Michael Jackson e outros bens em prol de organizações de caridade que ajudam a população do país africano. O filho do ditador também é investigado na França, onde teve uma coleção de carros confiscada, por acusações semelhantes.

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Ligação com a Beija-Flor começou em 2013

De acordo com o blog Alalaô, da Folha, as ligações da Beija-Flor com Guiné Equatorial começaram no Carnaval de 2013, quando Teodorín teria contratado uma apresentação particular da escola no camarote que ocupava na Sapucaí. No mesmo ano, a Beija-Flor fez uma apresentação em homenagem aos 45 anos da independência do país. Em 2014, a escola levou uma comitiva à Guiné Equatorial para buscar patrocínio, e Teodorín teria convencido o pai a destinar uma quantia à Beija-Flor para 2015. O filho do ditador se hospedou na suíte presidencial do hotel Copacabana Palace e reservou outras seis para sua comitiva, em diárias que variam de R$ 5.600 a R$ 7.200.

Ex-colônia espanhola, país tem português como língua oficial
Colônia da Espanha até 1968, Guiné Equatorial é o único país africano que tem o espanhol como uma de suas línguas oficiais. As outras são francês e português –desde o ano passado, a nação é uma das nove integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Capital fica numa ilha
A capital de Guiné Equatorial, Malabo, não fica no território continental africano, e sim numa ilha: Bioko, a 40 km da costa de Camarões, país que fica mais perto da capital vizinha do que Guiné Equatorial. Mas essa situação vai mudar com a construção de Oyala, a futura capital do país, que fica no continente e cuja fundação está prevista para 2020.

País sediou as últimas duas Copas Africanas e tem um esportista famoso
Sem sucesso nas Copas do Mundo de futebol, torneio para qual sua seleção nunca se classificou, Guiné Equatorial foi sede das últimas duas Copas Africanas de Nações, em 2012, junto com o Gabão, e em 2015, sozinha, na competição encerrada há dez dias. Mas seu esportista mais famoso vem da natação: é Eric Moussambani, personalidade nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000. Não por seus resultados, mas por terminar uma eliminatória, sem fôlego, no estilo “cachorrinho”. Ganhou o apoio da torcida australiana e o apelido de “Enguia” pela imprensa internacional.

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