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Brasileiro que morreu no aeroporto de Dublin sofreu um infarto, diz sogra

Lucas Gabriel Marins

Colaboração para o UOL, em Dublin (Irlanda)

17/11/2015 18h00

O brasileiro que morreu logo após ser detido pela Garda (polícia irlandesa) no último sábado (14) no aeroporto de Dublin, na Irlanda, sofreu um infarto, segundo Cyntia Nika, mãe da namorada do rapaz.

"Ele ficou muito nervoso na sala de imigração e acabou tendo um ataque, isso foi o que disseram-me os agentes de imigração. Ele não levava coisas ilícitas, como muita gente tem comentado. Espero que parem com as especulações, pois estamos arrasados", desabafou.

A Garda Ombuddman Comission, órgão que está investigando o caso, ainda não divulgou o laudo oficial sobre a morte do rapaz.

A Embaixada do Brasil em Dublin também não confirmou a informação. "A morte está sob investigação das autoridades irlandesas. Estamos dando assistência à família, que já foi avisada, e cuidando da documentação necessária para o translado do corpo", informou o órgão.

"Uma investigação independente ainda está sendo feita para apurar tudo o que ocorreu com o jovem e em breve vamos divulgar mais informações", disse Lorna Lee, assessora de imprensa da Garda Ombudsman Comission.

O jovem, que é de Curitiba (o nome foi preservado a pedido da família), estava viajando acompanhado de sua namorada, filha de Cyntia. Ele foi barrado no aeroporto e não teve permissão para continuar na Irlanda. "Ele ficou quatro horas aguardando e seria deportado. Eu questionei os agentes, mas eles disseram que em nenhum momento foram grosseiros ou colocaram pressão nele. Mas a gente nunca sabe a verdade", afirmou Cyntia.

A imigração costuma impedir a entrada de estudantes ou turistas que chegam sem a documentação exigida para a permanência no país ou dinheiro suficiente.

Para o médico Carlos Magno Leprevost, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (SP), o estresse pode sim desencadear um infarto. "Isso porque momentos de estresse aumentam a necessidade de trabalho do coração. Mas em jovens é raro, representando algo em torno de 5% a 10% da totalidade de casos. De qualquer forma, uma necropsia para verificar a causa real é necessária", afirma.

É o segundo caso envolvendo brasileiro em menos de um mês. No final de outubro, o amapaense John Kennedy Santos Gurjão, de 24 anos, morreu após ter convulsões durante um voo entre Lisboa e Dublin. O piloto teve de fazer um pouso forçado no aeroporto de Cork, no sul do país.

Segundo a autopsia divulgada pelo Instituo Médico-Legal de Dublin na época, Gurjão ingeriu 800 gramas de cocaína e um dos sacos teria arrebentado, o que o levou à morte.