Armado, professor enfrentou terroristas antes de ser morto no Paquistão

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Twitter @omar_quraishi

    O professor Syed Hamid Husain, que enfrentou os terroristas durante o atentado

    O professor Syed Hamid Husain, que enfrentou os terroristas durante o atentado

O professor de química Syed Hamid Husain foi uma das vítimas no atentado à universidade Bacha Khan, em Charsadda, no Paquistão, nesta quarta-feira (20). Segundo testemunhas, Husain utilizou uma arma para enfrentar os terroristas durante os ataques que deixaram pelo menos 21 mortos.

De acordo com a agência France Presse, testemunhas relataram que o professor, antes de ser morto, abriu fogo contra os homens enquanto eles aterrorizavam o campus, o que permitiu que muitas pessoas conseguissem fugir dos ataques. Não há informação sobre como o professor teve acesso à arma.

"Vimos três terroristas gritando 'Alá é o maior!', correndo rumo às escadas de nosso departamento", disse uma testemunha, que em seguida relatou ter visto o professor com uma pistola na mão, atirando nos extremistas. "Depois, ele [Husain] caiu no chão, e os terroristas entraram enquanto a gente fugia."

Zahoor Ahmed, estudante de geologia, disse que o professor os avisou para não sairem do prédio no momento em que os primeiros tiros foram ouvidos. "Ele tinha uma pistola na mão. Depois, vi ele ser atingido por uma bala. Dois militantes estavam atirando. Corri para dentro e consegui fugir pulando um muro."

De acordo com o estudante de sociologia Muhammad Daud, os extremistas miraram o professor, descrito como um "verdadeiro cavalheiro e professor respeitável".

Segundo o estudante de geologia Waqar Ali, Husain já era conhecido como "Protetor" pelos alunos antes do atentado. "Ele sempre ajudava os estudantes e era um dos que conhecia todos seus segredos", contou Ali.

O ataque começou às 9h30 (2h30 em Brasília), na Universidade Bacha Khan de Charsadda, na província de Khyber Pakhtunkhwa. O vice-reitor, Fazal Rahim, disse à agência Efe que pelo menos quatro guardas de segurança e um policial morreram.

De acordo com a polícia, quatro homens entraram na universidade com fuzis AK-47 e granadas e efetuaram disparos e explosões. Há relatos de que os terroristas usavam coletes com explosivos e se aproveitaram da densa neblina da manhã para pular os muros sem serem imediatamente notados. Em seguida, as forças de segurança, apoiadas por veículos blindados, isolaram o perímetro da instituição e trocaram tiros com os agressores.

O Exército confirmou que as buscas no campus terminaram por volta das 15h30 locais.

Facção do Taleban reivindica autoria; grupo condena

Segundo a imprensa local, Omar Mansoor, militante do principal grupo Taleban paquistanês, o TTP, reivindicou o ataque à universidade, afirmando que a ação serviu como retaliação pela morte de pelo menos 3.500 militantes do Taleban pelas forças de segurança paquistanesas nos últimos meses.

No entanto, Muhammad Khurasani, apontado como porta-voz do TTP, condenou "fortemente" o ataque, dizendo que o ataque contrariou os preceitos islâmicos. 

Charsadda está a cerca de 40 km da capital provincial, Peshawar, onde em dezembro de 2014 o TTP havia lançado outro ataque contra uma escola, deixando 151 mortos, entre eles 125 crianças. (Com AFP)

Ataque contra universidade no Paquistão deixa dezenas de mortos

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