O que Hillary e Trump disseram no 1º debate presidencial e não foi bem assim?

Do UOL, em São Paulo

  • Spencer Platt/Getty Images/AFP

A imprensa americana mobilizou equipes para checar as afirmações feitas pelo republicano Donald Trump e pela democrata Hillary Clinton durante o primeiro debate presidencial nos EUA. Na análise dos principais argumentos, o magnata leva a pior, como ao afirmar que não apoiou a invasão do Iraque ou que nunca chamou a mudança climática de farsa. Veja alguns pontos rebatidos no debate:

Dinheiro do pai

Lucas Jackson/Reuters

No debate, Trump afirmou que fez somente um "pequeno empréstimo com seu pai". Em 1978, o pai de Trump fez um empréstimo ao filho estimado em US$ 1 milhão (cerca de US$ 3,7 milhões atualmente, segundo apontou o jornal britânico "The Guardian"), e agiu como fiador dos projetos do jovem Trump.

Em 1981, foi feito outro empréstimo de US$ 7,5 milhões. Anos mais tarde, ele comprou US$ 3,5 milhões em fichas de jogo para ajudar o filho a saldar as dívidas de um cassino em processo de falência –foi provado que Trump quebrou leis ao aceitar o negócio. 

O magnata ainda não mostrou prova de seus US$ 10 bilhões. Ele se recusa a mostras suas declarações de imposto de renda, que poderiam dar uma imagem mais clara de seu patrimônio. Ele tem um histórico famoso por exagerar no valor de suas propriedades. Por exemplo, ele afirmou na Justiça que um clube de golfe valeria US$ 1,4 milhão, enquanto disse para a Comissão Federal Eleitoral que a mesma propriedade teria valor estimado em US$ 50 milhões.

Trump também não prova o pagamento de qualquer imposto.

Trump disse que os EUA possuem um déficit comercial de quase US$ 800 bilhões por ano. Segundo o "NYT", o número está incorreto. O deficit anual seria de cerca de US$ 500 bilhões em 2015, e deve ser similar em 2016.

Mudança climática

Hillary voltou a acusar Trump de dizer que a mudança climática seria uma farsa perpetrada pelos chineses. Trump negou ter dito a afirmação. Mas, em 2012, o republicano tuitou: "O conceito de aquecimento global foi criado por e para os chineses para tornar a indústria americana não competitiva." Durante o ano passado, Trump repetidamente chamou a mudança climática de farsa, e disse que não acredita que a mudança climática seja causada pelo homem.

Rick Wilking/Reuters

Segurança nacional

Acusado de ter apoiado a invasão do Iraque, Trump afirmou durante o debate diversas vezes que foi contra o conflito. A afirmação é falsa. Na época, ele chegou a dizer que George W. Bush estaria fazendo um bom trabalho e manifestou impaciência com a demora na invasão.

O magnata disse ainda que Obama e Hillary criaram as condições para que o Estado Islâmico, ignorando que os primeiros sinais do grupo surgiram após 2003, no período após a operação de George W. Bush. Obama retirou as tropas dos EUA do Iraque em 2011 seguindo um cronograma acordado por Bush e o governo iraquiano. O grupo radical como o conhecemos hoje criou raízes na guerra civil síria, onde os EUA não intervieram até 2014.

Ao dizer que os EUA deveriam ter tomado o petróleo iraquiano, Trump fez uma sugestão ilegal, já que tomar recursos de qualquer país é proibido segundo a legislação internacional.

Hillary culpou diretamente a Rússia por ciberataques, especialmente o que atingiu em cheio a sua campanha com o roubo de dados do Comitê Nacional Democrata. Ela disse que a Rússia e o presidente Vladimir Putin participam deste jogo há muito tempo.

Drew Angerer/Getty Images/AFP

Mas o governo americano em momento algum acusou oficialmente o governo russo pelo ataque contra o Partido Democrata –ainda que a suposição seja correta. Trump afirmou que o ataque poderia ter sido promovido pela China, mas oficiais de inteligência dizem que isso seria improvável.
 
Trump ainda negou durante o debate ter elogiado Vladimir Putin, ainda que tenha repetidamente dito durante a campanha que o presidente russo seria um "líder forte".
 
Trump disse ainda que a Otan deveria ter uma campanha antiterror voltada para o Oriente Médio. Ele afirmou ainda que sua sugestão já influenciou as decisões da aliança. Mas o grupo já possui um programa de defesa contra o terrorismo desde junho de 2004. Em julho, o grupo decidiu aumentar os esforços contra o EI, especificamente na Síria e no Iraque. E Trump nunca esteve envolvido nestas negociações. Além disso, a Otan participou de ações militares no Afeganistão desde 2003.

Obama cidadão americano?

Trump acusou Sidney Blumenthal, amigo de Hillary, e Patti Solis Doyle, responsável pela campanha de Hillary em 2008, por criar os falsos boatos de que Obama não nasceu nos EUA.

Não existe nenhuma evidência de que a campanha de Hillary contra o presidente Obama tenha qualquer envolvimento com os rumores. A democrata também não tem qualquer ligação com as repetidas afirmações de Trump sobre a certidão de nascimento de Obama nos últimos cinco anos. A equipe de Trump tentou culpar diferentes fontes pelo boato, até que focou nas acusações contra a antiga campanha de Hillary.

Rick T. Wilking/Pool via AP

Economia

Ao atacar o Nafta (Tratado Norte-Americano de Livre Comércio), aprovado por Bill Clinton, Trump afirmou que o acordo foi o responsável pela queda na produção industrial dos EUA. Mas isso não pode ser atribuído apenas ao pacto comercial. Economistas ainda discutem os efeitos do acordo sobre a geração de emprego. Em 2015, o Serviço de Pesquisa do Congresso disse que o Nafta não causou perdas enormes de emprego, temidas pelos críticos, nem os grandes ganhos econômicos previstos pelos apoiadores. Isso porque o comércio com o Canadá e o México compreende uma pequena porcentagem da atividade econômica norte-americana.

O exemplo usado por Trump foi dizer que a Ford estaria "deixando" os EUA e cortando milhares de empregos no país ao mudar suas indústrias para o México. Entretanto, a própria Ford diz que está abrindo uma nova fábrica no México e garante que nenhum posto de trabalho foi cortado para isso.

Trump afirmou que a China está "desvalorizando sua moeda" para obter vantagem econômica. Mas, segundo o "NYT", está é uma acusação ultrapassada. No passado, economistas apontaram evidências de que a China efetivamente desvalorizou sua moeda durante anos, o que contribuiu para a sua ascensão como potência industrial. Mas, segundo o "NYT", nos últimos anos, Pequim busca estabilizar o yuan e valorizá-lo.

Troca de acusações no primeiro debate

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