Venezuela fecha fronteira com o Brasil por 72 horas

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

  • Eduardo Knapp/Folhapress

    Cambista brasileiro troca bolívares por reais na entrada para a cidade venezuelana Santa Elena Uairén, que faz divisa com Pacairama (RR)

    Cambista brasileiro troca bolívares por reais na entrada para a cidade venezuelana Santa Elena Uairén, que faz divisa com Pacairama (RR)

A fronteira da Venezuela com o Brasil localizada entre as cidades de Santa Elena de Uairén e Pacaraima, no Estado Roraima, está fechada desde a 0h desta terça-feira (13) em cumprimento a determinação do presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Segundo o Consulado da Venezuela em Roraima, a fronteira será reaberta a 0h de quinta-feira (14). A fronteira da Venezuela com a Colômbia também está fechada por igual período, segundo o cônsul-adjunto venezuelano em Roraima, José Martínez.

Decreto oficial do governo venezuelano determinou o fechamento da fronteira por 72 horas com o argumento de "combater as máfias" que fazem contrabando da moeda nacional e também de alimentos e outros insumos que estão em falta no país.

Maduro acusa que grupos da Colômbia e do Brasil estão guardando papel-moeda da Venezuela para retirar a oferta em circulação e desestabilizar a economia venezuelana. O presidente acusa ainda uma ONG dos Estados Unidos de atuar na "máfia".

"Decidi tirar de circulação as cédulas de 100 bolívares nas próximas 72 horas e dar um prazo prudente para que os que possuam cédulas de 100 bolívares o declarem perante os bancos públicos e perante o Banco Central", informou Nicolás Maduro, em seu programa na emissora de TV estatal no último domingo (11). As notas são a maior em circulação no país.

A Venezuela enfrenta grave crise financeira e a sua moeda vem perdendo valor com a alta inflação. Um dólar equivale a 670 bolívares. O Banco Central da Venezuela lançou recentemente papel-moeda nos valores de 20.000, 10.000, 5.000, 2.000, 1.000 e 500 bolívares, e três moedas, de 100, 50 e 10 bolívares.

O Itamaraty informou que a Embaixada do Brasil em Caracas recebeu uma nota verbal do Ministério para Relações Exteriores da Venezuela sobre a decisão do governo venezuelano de fechar a fronteira entre Brasil e Venezuela, durante 72 horas a partir da 0h desta terça-feira. Na nota, a chancelaria venezuelana explica que a decisão se deve "à extração ilícita de notas da moeda venezuelana". O Itamaraty afirmou que "não nos cabe comentar a questão relacionada a aspectos internos do país vizinho".

O Itamaraty informou  que a orientação aos brasileiros é de que evitem o trânsito na região da fronteira, uma vez que o posto fronteiriço em Pacaraima está fechado para qualquer pessoa ou veículo.

O UOL entrou em contato com a Embaixada da Venezuela em Brasília, mas até a publicação deste texto não obteve resposta.

Juan Barreto/AFP
Pessoas fazem fila diante de banco para entregar bolívares, em Caracas

Escassez

A desvalorização do bolívar e a escassez de alimentos na Venezuela estão levando milhares de venezuelanos a cruzar a fronteira entre Santa Elena de Uairén e Pacaraima para fazer compras no Brasil.

Segundo a prefeitura de Pacaraima, as vendas se concentram no básico: alimentos, material de limpeza, pneus e bateria para carros. Sapatarias, lojas de móveis e eletrodomésticos mudaram de ramo para alimentos para aproveitar a demanda dos venezuelanos na cidade.

O comércio oferece alimentos com valores até três vezes menor que os cobrados na Venezuela. A movimentação maior ocorre nos fins de semana.

Os comerciantes vendem alimentos em fardos, como: farinha de trigo, arroz, feijão, além de produtos de limpeza, como: sabonetes, sabão em barra, creme dental, xampu, etc.

"A fronteira com a Venezuela e a grande depreciação da moeda deste país impõem um amplo movimento de pessoas na fronteira durante todos os dias, intensificando-se nos finais de semana quando milhares dirigem-se a cidade de Santa Helena de Uairen para realizarem compras ou apenas abastecerem seus automóveis", informou a prefeitura de Pacaraima.

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