Adolescente mexicana é declarada inocente após matar estuprador

Colaboração para o UOL

  • Reprodução

    Itzel fez um relato no Youtube sobre o caso e chamou atenção de todo o México

    Itzel fez um relato no Youtube sobre o caso e chamou atenção de todo o México

Uma jovem de 15 anos foi considerada inocente após ter matado seu estuprador no México. O caso teve enorme repercussão após a vítima publicar um relato em vídeo nas redes sociais sobre a experiência.

Itzel foi sequestrada após a escola por um homem de 30 anos que a manteve refém com uma faca e a estuprou por horas, em plena rua. A adolescente conseguiu sacar a faca do agressor e atacou-o no peito. O golpe foi fatal.

O pesadelo demorou para acabar: a jovem acabou acusada de homicídio pela justiça mexicana. "Como podem investigar uma garota que apenas se defendeu?" indagou Karla Micheel Salas, advogada de Itzel ao jornal "El País". Segundo ela, a família da vítima passou a receber ameaças por telefone, que acreditam ser de alguém próximo ao agressor.

Durante as investigações, Itzel postou um vídeo no Youtube contando em detalhes sobre o que aconteceu no dia traumático. E as declarações da menina ganharam enorme repercussão nas redes sociais.

Enquanto isso, Salas também se mostrava indignada com o tratamento dado pelas autoridades à adolescente após o acontecido. "Os protocolos indicam que a vítima primeiramente deve receber atendimento médico. Mas ao invés de levarem Itzel que estava gravemente ferida à emergência, levaram-na ao Ministério Público. A família foi obrigada a comprar a pílula do dia seguinte já que as autoridades deixaram de administrar os retrovirais de emergência", completa a advogada.

Itzel ficou desde o dia do ataque praticamente trancada em casa. Só saía para as consultas médicas e, ainda assim, acompanhada dos pais. "Fico me perguntando por que existe uma investigação de homicídio. Me culpam de algo que eu desconheço", desabafou a adolescente, antes de as acusações serem retiradas.

Na última terça-feira (27), a Procuradoria de Justiça da Cidade do México decidiu livrar Itzel das acusações, entendendo que ela agiu em legítima defesa. Para Karla Salas, a pressão midiática, o depoimento de Itzel e a proporção que ele tomou nas redes sociais foram fundamentais para a decisão das autoridades.

"Tivemos que recorrer à denúncia pública para evidenciar as irregularidades do caso. Mas o que acontece com as vítimas que não têm acesso aos meios de comunicação ou advogados particulares?", questionou a advogada. É o caso da jovem Yakiri Rubio de 20 anos que ficou 3 meses presa após matar seu estuprador em 2014. Yakiri também foi acusada de homicídio e só foi absolvida um ano e meio após o crime.

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