Ataque de grupo armado durante plebiscito da oposição deixa 1 morto em Caracas

Do UOL, em São Paulo

  • Isaac Urrutia/Reuters

    16.jul.2017 - Pessoas fazem fila para votar em plebiscito em Maracaibo, na Venezuela

    16.jul.2017 - Pessoas fazem fila para votar em plebiscito em Maracaibo, na Venezuela

Ao menos uma pessoa morreu e três ficaram feridas no zona oeste de Caracas neste domingo (16), depois que um grupo de homens armados atirou durante a realização da consulta popular da oposição sobre o processo da Assembleia Constituinte promovido pelo governo, informou o Ministério Público.

Antes, o chefe de campanha do plebiscito, Carlos Ocariz, havia informado a ocorrência de duas mortes, mas essa informação não foi confirmada pelas autoridades.

"A pessoa morta foi identificada como Xiomara Soledad Scott", de 60 anos, informou no Twitter o ministro do Interior, general Néstor Reverol, garantindo que uma comissão especial da Divisão de Homicídios da Polícia Científica dirige as investigações.

Em um boletim, o MP disse que foi aberta investigação por uma "situação irregular" no populoso bairro de Catia.

Vídeos divulgados pela imprensa mostram uma multidão fugindo, entre gritos de pânico e detonações, para tentar se abrigar em uma igreja próxima ao posto de votação atacado.

Dirigentes da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) condenaram o episódio e responsabilizaram "grupos paramilitares". Segundo eles, esses grupos seriam ligados ao governo Maduro.

"Não tinha acontecido nada sério, nada grave, nenhuma tragédia a lamentar, mas Maduro e seu regime viram uma participação em massa no plebiscito e se apavoraram", declarou em entrevista coletiva a ex-deputada da oposição María Corina Machado, ao responsabilizar o presidente.

"Esses grupos paramilitares agiram à vontade, sem que os corpos de segurança civis e militares agissem", denunciou.

O líder opositor Henrique Capriles, por sua vez, publicou um vídeo na mesma rede social mostrando o tumulto na porta da igreja e o barulho dos disparos.

"O desespero de @nicolasmaduro e da sua cúpula corrupta que mandaram os seus grupos paramilitares para assassinar o nosso povo em Catia!", escreveu ele.

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) também denunciou que o jornalista Luis Olavarrieta foi retido por desconhecidos, agredido e roubado durante os incidentes. Ele foi levado para um centro de saúde.

Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Local onde uma pessoa morreu durante plebiscito, em Caracas, na Venezuela

No Twitter, o Ministério Público da Venezuela informou que já está apurando o caso.

"Promotoria 124 do AMC (Área Metropolitana de Caracas) investiga a morte de Xiomara Escot e três feridos, fato ocorrido durante a situação irregular em Catia #16Jul", publicou.

A consulta popular, que não é reconhecida pelo governo nem pelo Poder Eleitoral, vinha acontecendo normalmente, apesar de os organizadores terem se mostrado receosos quanto à possibilidade de atos violentos de grupos chavistas.

Na consulta, o cidadão é perguntado se aprova ou rejeita a Assembleia Constituinte, que acontecerá no próximo dia 30 e é vista pela oposição como uma tentativa do governo de "consolidar uma ditadura" na Venezuela; se deseja a convocação de eleições para a renovar dos poderes públicos; e se gostaria que todos os funcionários público e as Forças Armadas obedecessem e defendessem a Constituição de 1999.

Líder opositor vota em casa

O líder opositor venezuelano Leopoldo López participou neste domingo de casa, onde está preso, do plebiscito. 

"Sim, desconheço a proposta de Constituinte de Nicolás Maduro", expressou de costas, em um vídeo, enquanto preenchia a cédula da consulta opositora.

"Sim, peço às Forças Armadas e a todos os funcionários públicos que defendam a Constituição. Sim, aprovo que se proceda à renovação dos poderes públicos e à realização de eleições livres", acrescentou, ao ler as três perguntas do plebiscito.

No vídeo, que publicou no Twitter, López, que exibe uma camiseta branca com a mensagem "Quem se cansa, perde", também diz: "O povo venezuelano decide".

"Hoje, milhões decidimos e damos um mandato. Que não restem dúvidas a ninguém de que é vinculante, e que temos que defendê-lo e fazer com que seja cumprido", expressou López no Twitter após divulgar o vídeo.

"Esta luta nasceu nas ruas, hoje segue e seguirá nas ruas até restaurar a democracia e liberdade", assinalou.

Esta foi a primeira mensagem direta de López desde que ele foi transferido da prisão militar de Ramo Verde a seu domicílio no leste de Caracas, no último dia 8, após passar três anos e cinco meses na prisão. (Com agências internacionais)
 

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