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Lula se diz solidário a Cristina Kirchner e fala em "caçada judicial e midiática"

9.dez.2016 - Cristina Kirchner e Lula durante encontro em São Paulo - AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL
9.dez.2016 - Cristina Kirchner e Lula durante encontro em São Paulo Imagem: AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Do UOL, em São Paulo

08/12/2017 09h35

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manifestou nesta sexta-feira (8), pelo Twitter, em favor da argentina Cristina Kirchner, que teve pedido de prisão declarado pela Justiça argentina por traição à pátria.

"Expresso minha solidariedade à presidenta Cristina Kirchner e a seus colaboradores que tanto fizeram pelo povo argentino e pela integração sul americana. É preocupante a verdadeira caçada judicial e midiática lançada contra essa companheira a quem tanto admiro e estimo", escreveu Lula.

Lula sempre foi próximo dos presidentes Nestor e Cristina Kirchner, que governaram a Argentina entre 2003 e 2015 - no mesmo período, o Brasil teve Lula e sua sucessora Dilma Rousseff na Presidência.

No ano passado, Cristina chegou a se dizer perseguida "como Lula no Brasil", quando compareceu em uma audiência na Justiça sobre um processo que investigava um suposto favorecimento dos Kirchner a um empresário em licitações públicas.

Ela também prestou solidariedade a Dilma durante o processo de impeachment da petista e contou com apoio de Lula nas eleições presidenciais de 2015, com o ex-presidente brasileiro participando de eventos de Daniel Scioli, candidato kirchnerista que acabou derrotado por Mauricio Macri.

Macri está articulando perseguição política, diz Cristina

AFP

Foro privilegiado impede prisão preventiva

Cristina, que ocupou a presidência argentina entre 2007 e 2015, é acusada de "traição" por supostamente ter assinado um pacto com o Irã para encobrir altos funcionários iranianos suspeitos de envolvimento no caso. O acordo permitiria que autoridades iranianas suspeitas de ordenar o ataque fossem interrogadas por magistrados argentinos em Teerã, ao invés de em Buenos Aires.

A prisão preventiva de Cristina foi pedida por suspeita de obstrução à investigação de um atentado contra a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), ocorrido em 1994. 

Cristina foi eleita senadora em outubro, o que lhe confere o foro privilegiado. Assim, para que seja presa, é preciso que o Congresso retire a sua imunidade. Mas, além de o Congresso estar em recesso, os peronistas --kirchneristas ou não-- já disseram que não pretendem votar a favor da perda de foro da ex-presidente. 

Acusação é insulto à inteligência, diz Cristina

Segundo ela, a acusação de traição à pátria feita contra ela é um insulto à inteligência dos argentinos e "viola o Estado de direito".

Em discurso nesta quinta-feira (7), Cristina atacou Macri diretamente, não só o responsabilizando pelas acusações e pelo pedido de retirada de foro privilegiado feito pela Justiça, mas acusando-o de usar o caso para ocultar os fracassos de suas políticas econômicas. "É uma grande cortina de fumaça que pretende intimidade e assustar a população, as pessoas nas ruas que querem protestar".

Segundo ela, o juiz segue ordens de Macri. "Macri sabe que é uma causa inventada e que não há crime. Buscam provocar dano pessoal e político aos opositores, contra suas trajetórias. Não tem nenhuma relação com a realidade". Durante todo o dia, Macri evitou comentar o pedido de prisão de Cristina.

A investigação se baseia em uma denúncia apresentada pelo promotor Alberto Nisman em janeiro de 2015, quatro dias antes de ser encontrado morto com um disparo na cabeça em seu apartamento em Buenos Aires. A denúncia foi rejeitada e arquivada meses depois, mas reaberta no final de 2016 após a aparição da gravação em que o ex-ministro do Exterior de Kirchner reconhece a um funcionário da Amia que o governo sabia da suposta responsabilidade do Irã no ataque.

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