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Putin critica mania americana de 'ver espiões' e diz que Trump trouxe conquistas

Vladimir Putin durante a tradicional conferência com jornalistas em Moscou - ALEXEY NIKOLSKY/AFP
Vladimir Putin durante a tradicional conferência com jornalistas em Moscou Imagem: ALEXEY NIKOLSKY/AFP

Do UOL, em São Paulo

14/12/2017 12h47

O presidente russo Vladimir Putin concedeu nesta quinta-feira (14) a sessão anual de perguntas e respostas à imprensa mundial, onde voltou a falar sobre a investigação de um suposto complô de agentes do Kremlin com membros da campanha vitoriosa de Donald Trump em 2016 e também sobre sua própria candidatura à reeleição na eleição presidencial russa marcada para março de 2018.

Mais de 1.600 jornalistas nacionais e estrangeiros participaram da tradicional entrevista coletiva que o presidente dá todos os anos nesta época do ano. Putin responde por várias horas a perguntas que incluem a situação interna da Rússia, sua política externa e até mesmo sua vida pessoal.

Veja alguns tópicos que ele abordou:

Interferência russa na eleição e complô com a campanha de Trump

Como tem feito desde o início, Putin negou todas as acusações de que os russos tenham interferido na eleição americana, apesar da investigação do FBI sobre os contatos entre diplomatas e pessoas ligadas ao governo russo e membros importantes da campanha de Trump.

Tudo isso foi inventado por pessoas que se opunham a Trump, para deslegitimar seu trabalho."

"Fazem essas acusações sem entender o prejuízo que causam à situação política interna dos EUA. Isto quer dizer que simplesmente não respeitam os eleitores que votaram nele ]Trump]", acrescentou Putin.

Ele também falou especificamente sobre as acusações contra o ex-embaixador russo em Washington Sergei Kislyak, que teria se encontrado com assessores do republicano como Michael Flynn (ex-conselheiro de segurança nacional do governo dos EUA), Jeff Sessions (atual secretário de Justiça), Jared Kushner (conselheiro da Casa Branca e genro do presidente americano) e Paul Manafort (ex-diretor de campanha de Trump).

Por que isto tem que se transformar numa mania de ver espiões?"

"É uma prática mundial que diplomatas ou inclusive membros de governos se reúnam com todos os candidatos e suas equipes. O que viram de terrivelmente surpreendente nisto?", afirmou Putin.

Elogio a Trump

Questionado sobre sua avaliação de Trump à frente da Casa Branca, Putin respondeu que essa é uma tarefa do eleitorado norte-americano.

O líder russo acrescentou, no entanto, que vê "conquistas muito importantes" no curto período de Trump na presidência dos Estados Unidos. Ele citou o crescimento dos mercados no país e disse que esse cenário reflete a confiança dos investidores na economia americana e na atuação de Trump nesse setor.

Putin também se disse esperançoso de que o presidente americano possa cumprir sua promessa de campanha de melhorar os laços entre Estados Unidos e Rússia.

Coreia do Norte

Putin afirmou que a Rússia está pronta para uma cooperação "construtiva" no conflito com a Coreia do Norte. Ele também alertou aos EUA que não ataquem os norte-coreanos, acrescentando que as consequências seriam "catastróficas".

Segundo ele, Moscou se opõe ao programa nuclear do regime de Kim Jong-un, mas Putin acrescentou que os EUA "motivaram" Pyongyang no desenvolvimento de seu arsenal ao desistirem de um acordo assinado com a Coreia do Norte em 2005, que interromperia os programas.

"Rússia precisa ser mais moderna e flexível"

Com 75% das intenções de voto para as eleições de março de 2018, Putin disse esperar um "amplo apoio popular" na votação, onde ele disse que irá concorrer como independente.

Perguntado sobre a enorme distância em relação aos outros candidatos nas pesquisas, Putin disse que isso é o reflexo da campanha da oposição.

"O povo está descontente com muitas coisas e tem razão para estar. Mas quando começam a comparar e veem o que propõe a oposição, surgem grandes dúvidas", disse.

Segundo ele, seus objetivos para o novo mandato presidencial são assuntos como "desenvolvimento de infraestruturas, saúde, educação, tecnologias de ponta e aumento da produtividade".

"A Rússia deve ser um país que olhe para o futuro, mais moderno, com um sistema político mais flexível e uma economia baseada em tecnologias de ponta".

Putin participará de uma eleição presidencial pela quarta vez, depois de ter vencido as votações de 2000, 2004 e 2012. Uma eventual reeleição irá garanti-lo no cargo até 2024. (Com agências internacionais)