Brasileiro preso na Venezuela relata violência psicológica, mas nega abuso

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Facebook

O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, libertado no fim de semana depois de passar 11 dias preso na Venezuela, usou sua conta no Facebook para descrever como foi preso, bem como foi o tempo em que passou em uma cela de 8 metros quadrados com outros 8 venezuelanos. Em seu relato, Diniz conta que houve terror psicológico, mas nega qualquer agressão física ou abuso sexual.

O brasileiro, que foi expulso da Venezuela, conta que não pôde deixar a cela para tomar sol "nem por 10 minutos", só saía do local para "assinar mais papeladas". "Não pude receber visita, fazer chamada ou nenhuma outra coisa", descreve o catarinense, que atualmente mora nos Estados Unidos. "Tentaram colocar terror psicológico falando que eu poderia ficar lá tanto 1 como 1000 dias, que ninguém havia me procurado e ninguém nem se quer (sic) sabia de minha prisão."

Diniz afirma ter sido obrigado a ficar nu em várias ocasiões. "Inclusive mandaram eu ficar nu na frente de todos os detentos sem a mínima lógica na noite que cheguei", lembra ele, que disse que ter sido apresentado aos detentos como parceiro de "Oscar Perez" --ex-policial rebelde procurado por terrorismo no país-- para incentivar o ódio.
 

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Diniz também disse ter recebido comida dos responsáveis pela prisão só em 2 ou 3 dias. "Os outros 8 presos que estão lá a (sic) quase 3 anos não recebem nenhuma comida, tendo que a família deles viajar todos os dias para levar algo para eles sobreviverem e foi da comida de meus colegas de cela que me alimentei", detalhou. "Por que se fosse depender do Sebin (o serviço de inteligência da polícia venezuelana) eu tava f***."

Prisão logo após o Natal

Ele afirma ter sido preso no dia 26 de dezembro enquanto bebia cerveja com os amigos na praia. "Um homem que falou que trabalhava para a polícia mas estava a paisana, me tirou da praia me ameaçando com a arma (...). Ele fez diversas acusações falsas a meu respeito dizendo que eu era da CIA, que eu estava lá usando fotos de crianças da Venezuela para ganhar dinheiro a custa de outros", conta o brasileiro, que disse ter sido levado para a para a sede do Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), próximo ao aeroporto de Maiquetia, em Vargas.

"Dormíamos em seis pessoas em colchões no chão e mais três em um triliche caindo aos pedaços. O vaso, sanitário era na cela sem privacidade alguma e não existia chuveiro, nos banhávamos em um cantinho com pote e depois secávamos o local, fazer as "necessidades" tinha que ser na frente de todos e o cheiro nem sempre era dos melhores por a cela ser muito pequena e com tanta gente e quase nenhuma ventilação. Em contrapartida, o lado suave da história é que tínhamos televisão e muitos filmes para passar o tempo e meus companheiros de cela eram pessoas muito humanas e queridas, faço minhas orações para que eles encontrem suas liberdades logo", relata Diniz.

A soltura e deportação de Diniz foram anunciadas no sábado pelo ministro de Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes. Ele foi enviado para os EUA. Na postagem, Diniz afirma que, em um primeiro momento, voltaria para o Brasil. "Mudaram meu voo do Brasil para os EUA porque alegaram que eu deveria voltar de onde eu vim e não de meu país de origem, decidiram isso de última hora, não foi minha opção. Tomei meu voo direção Miami e logo direção Los Angeles", onde vive.

ONG seria criada no Brasil

Diniz afirma que estava no país vizinho para doar boa parte de seu dinheiro para criar, com amigos, a organização não-governamental Time to Change the Earth (Tempo de Mudar a Terra). Para o governo venezuelano, a entidade seria uma "organização criminosa com tentáculos internacionais", que distribuiria alimentos e bens a moradores de rua com o objetivo de obter recursos em moeda nacional com vistas a promover ações contra o governo.

O brasileiro afirma que a ONG não chegou a ser registrada no Brasil "por falta de tempo hábil até o Natal". Ela seria registrada por um advogado em Camboriú (SC). "Como com ou sem papel de ONG as crianças estariam de igual maneira morrendo de fome, decidi ir sem papel e fazer o mesmo trabalho que já havia feito entre maio e agosto [enquanto viveu na Venezuela], que nada mais era que auxiliar as ONGs venezuelanas já existentes as quais eu conhecia e doava MEU dinheiro, trabalho, imagem e tempo", diz Diniz.

 

 (*Com informações do Estadão Conteúdo)

 

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