"Surreal": torcedora saudita relata emoção na 1ª vez das mulheres no estádio

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Twitter

    Sarah Algashgari participou da equipe que recepcionou as torcedoras no estádio

    Sarah Algashgari participou da equipe que recepcionou as torcedoras no estádio

"Surreal". É assim que Sarah Algashgari, uma estudante de 18 anos, descreve a experiência de ajudar a organizar a primeira vez em que mulheres puderam entrar em um estádio de futebol para ver um jogo, na semana passada. 

"Quase não tenho palavras para explicar a emoção e a alegria que senti por ver as mulheres, que antes viam os jogos somente pelas televisões, entrando nos estádios", disse Sarah em entrevista ao UOL. "Fiquei muito feliz não só por ter acompanhado este momento histórico, mas também porque contribuí para o seu sucesso", afirmou.

Sarah, que cursa o ensino superior na Universidade Rei Abdulazi, em Jeddah, trabalhou na recepção aos torcedores e os direcionou para os setores do estádio e suas cadeiras no jogo entre o Al-Ahli contra o Al-Batin, no dia 12 de janeiro. 

Reprodução/Twitter

Foi a primeira vez de Sarah, que é fã de futebol --e das mulheres sauditas-- nas arquibancadas. Setores "familiares" foram criados para receber as mulheres, que ainda precisam estar acompanhadas de um homem e usar a vestimenta tradicional, que cobre o corpo.

A estudante postou imagens do estádio em seu perfil no Twitter, e a postagem teve mais de 5.800 retuítes e 18,6 mil curtidas.

A permissão para as mulheres nos estádios é parte de uma série de mudanças impulsionadas pelo reino conservador. No ano passado, o governo anunciou ainda que elas poderão dirigir a partir de junho deste ano --o país é o único no mundo que até agora impedia mulheres de dirigir.

AFP

"Sinto que a Arábia Saudita está dando um passo na direção certa para enfatizar o papel das mulheres em todos os aspectos da vida e esperamos muito para o futuro", disse Sarah.

Conservadores afirmam que os estádios não são lugar para mulheres, e a liberação da entrada para os jogos seria uma medida "demoníaca"

"Sempre existirão pessoas com preconceitos detestáveis e é por isso que nós, como país, não podemos deixar de progredir e desenvolver, deixando de lado pensamentos odiosos, para receber o futuro com os braços abertos. Ou você ficará para trás! E para tranquilizá-los, eu sou saudita e contribuo de qualquer maneira que puder", disse Sarah em um tuíte.

Mulheres fazem história ao frequentarem jogo de futebol na Arábia Saudita

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos