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Atentado em hotel de luxo deixa 14 estrangeiros mortos no Afeganistão

Omar Sobhani
Forças de segurança afegã acabam com certo em hotel de luxo, após 14 horas Imagem: Omar Sobhani

Do UOL, em São Paulo

21/01/2018 13h30Atualizada em 22/01/2018 09h42

Após 14 horas, acabou na manhã deste domingo (21) o cerco a um hotel de luxo de Cabul, capital do Afeganistão. O ataque, conduzido por seis homens armados, deixou 18 pessoas mortas, sendo quatro agressores e mais 14 estrangeiros que estavam hospedados no hotel. 

A polícia de Cabul confirmou à BBC a morte de nove ucranianos, um alemão, um grego e um cazaque. Duas vítimas ainda não foram identificadas. O Taleban assumiu a autoria do atentado, que começou na noite de sábado (20), quando os homens entraram no Hotel Intercontinental, um dos dois hotéis mais luxuosos da cidade e que recebe frequentemente conferências, festas de casamentos e encontros políticos. Eles dispararam contra hóspedes estrangeiros e funcionários e atearam fogo em três dos seis andares.

Os hóspedes se esconderam nos quartos e algumas conseguiram escapar descendo pelas janelas com lençóis amarrados. Outras foram mantidas como reféns durante o período em que a polícia afegã tentava localizar os terroristas no interior do hotel. 

Omar Sobhani/Reuters
Hóspedes tentam escapar do hotel pelas sacadas, usando lençóis amarrados Imagem: Omar Sobhani/Reuters

"Pessoas que estavam há pouco aproveitando o dia de repente estavam correndo desesperadamente e caindo ao serem atingidas por balas", disse o executivo Aziz Tayeb à agência de notícias France Presse. Outro hóspede disse à BBC que os terroristas pediram para comer antes de atirarem nas pessoas.

Segundo um funcionário do hotel, que não quis ser identificado, uma empresa privada assumiu a segurança do estabelecimento há três semanas, mas os agentes "fugiram sem lutar" assim que os terroristas chegaram. "Eles não reagiram. Não fizeram nada. Não tinham experiência alguma", disse o funcionário.

Ao menos 150 pessoas foram resgatadas durante a noite pelas forças afegãs --que entraram no hotel pelo telhado, com a ajuda de helicópteros. 

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, pediu uma investigação do caso e acusou os países vizinhos de apoiarem grupos militantes. "Enquanto grupos terroristas tiverem proteção, a região não vai ter segurança e estabilidade", disse em um comunicado oficial.

O país tem sido alvo de uma série de ataques. O mais recente foi em dezembro de 2017, quando uma bomba explodiu no centro cultural Shia, matando mais de 40 pessoas. 

O próprio Hotel Intercontinental foi alvo de ataque em outra ocasião, 2011, quando nove homens, também ligados ao Taleban, mataram 21 pessoas. Dessa vez, o ataque aconteceu dias após a embaixada americana no país emitir um alerta para possíveis ataques em hotéis da capital. (Com agências de notícias)