Sírio preso há um mês em aeroporto da Malásia mostra seu cotidiano em vídeos

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Twitter

    Hassan al-Kontar posta vídeos no Twitter contando seu cotidiano no aeroporto

    Hassan al-Kontar posta vídeos no Twitter contando seu cotidiano no aeroporto

Um homem sírio de 36 anos está morando na área de trânsito do aeroporto internacional de Kuala Lumpur, na Malásia, há um mês. Ele dorme debaixo de escadas, toma banho no banheiro de deficientes e se alimenta com comida de avião, enquanto aguarda uma definição sobre sua situação. Por enquanto, Hassan al-Kontar está em uma espécie de limbo diplomático, impossibilitado de sair do terminal.

Na tentativa de sair do aeroporto, ele tem enviado e-mails a grupos de direitos humanos e publicado vídeos no Twitter contando seu dia a dia no terminal, segundo o jornal inglês "The Guardian". Hassar teme ter de voltar para a Síria onde pode ser preso por ter recusado uma chamada para se alistar no serviço militar.

"Não sei o que dizer ou o que fazer. Preciso de uma solução, de um lugar seguro onde posso viver legalmente, com trabalho", disse ao "Guardian".

"A Síria está fora de cogitação, mesmo que eu tenha de ficar aqui para sempre. Eu não quero fazer parte de uma briga, eu não quero matar ninguém. E também não quero ser morto. Essa guerra não é minha."

Hassan al-Kontar, ao jornal "The Guardian"

A vida no local não é fácil. O sírio não consegue, por exemplo, lavar suas roupas de maneira adequada e nem comer direito. Todos os dias, ele se alimenta com uma refeição de arroz e frango fornecida pela companhia aérea. De vez em quando, gasta um pouco de suas economias para comprar um lanche.

Sua história no aeroporto de Kuala Lumpur começou em fevereiro quando a Turkish Airlines recusou que embarcasse em um voo para o Equador, onde tinha a esperança de entrar sem um visto. Em seguida, Kontar solicitou, sem sucesso, a entrada no Camboja e na Malásia.

O sírio chegou à Malásia em janeiro de 2017, com visto de três meses, após ter sido deportado dos Emirados Árabes Unidos, onde trabalhava desde 2011. Com o início da guerra civil na Síria, Kontar perdeu sua permissão de trabalho e foi mandado a um centro de deportação.

"Este problema não é só meu. É também de centenas de sírios que se sentem odiados, rejeitados, fracos e solitários",afirmou Kontar ao "Guardian".

A ONG de direitos humanos Human Rights Watch pediu ao governo malaio para ter acesso a Kontar com o objetivo de investigar o caso e se certificar que o sírio receba ajuda humanitária e que não seja preso pelas autoridades de imigração. O "Guardian" tentou contato com a Turkish Airlines, mas não obteve resposta. 

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