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Ex-diretor do FBI diz que Trump perguntou sobre possibilidade de prender jornalistas

Do UOL, em São Paulo

20/04/2018 10h46

O ex-diretor do FBI James Comey escreveu em memorandos do ano passado, nos quais registrou conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que foi questionado pelo republicano sobre a possibilidade de colocar jornalistas na prisão.

Trump, que teve diversos conflitos com jornalistas norte-americanos desde a época em que era candidato à Presidência, teria feito o questionamento quando cobrava Comey pelos vazamentos à imprensa que marcaram o início de sua administração na Casa Branca, nos primeiros meses de 2017.

O presidente reclama das informações publicadas sobre a investigação envolvendo seu ex-assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, demitido por Trump dias antes, e do conteúdo de conversas entre Trump e líderes do México e da Austrália.

Segundo Comey, a conversa ocorreu em 14 de fevereiro de 2017, no Salão Oval da Casa Branca, e girou em torno da possibilidade de o FBI ter vazado informações de Trump à imprensa. Comey concordou que isso seria "terrível, e uma violação séria da lei".

"Eu expliquei que o FBI reúne [informações de] inteligência em parte para auxiliar o presidente a tomar decisões, e se as pessoas estavam contando à imprensa o que estávamos fazendo, essa habilidade seria comprometida. Eu disse que eu estava motivado a encontrar os vazadores e demitiria, para passar a mensagem", descreve.

"Eu falei então sobre isso ser difícil, e ele respondeu que deveríamos ir atrás dos repórteres, e que 10 ou 15 anos atrás nós os colocávamos na cadeia para descobrir o que eles sabiam, e funcionava. Eu expliquei que eu era um fã de perseguir os vazamentos de forma agressiva, mas que ir atrás dos repórteres era complicado, por questões legais e porque o Departamento de Justiça costuma ser conservador nessa abordagem", relata Comey.

Segundo o ex-diretor do FBI, Trump pediu então que ele conversasse com Jeff Sessions, chefe do Departamento de Justiça e procurador-geral, "para ver o que poderíamos fazer para ser mais agressivos". "Eu disse que falaria com o procurador-geral."

No fim da conversa, Trump retornou ao assunto dos vazamentos. "Eu então falei algo sobre 'cortar a cabeça de alguém' para passar a mensagem. Ele respondeu dizendo que isso pode envolver colocar repórteres na cadeia: 'Eles passam dias na cadeia, fazem um novo amigo, e estão prontos para falar'. Eu ri e saí da sala", conta.

Os memorandos foram enviados pelo Departamento de Justiça a comitês de investigação da Câmara dos Deputados nesta quinta-feira (19). Alguns trechos foram suprimidos por se tratarem de informação confidencial.

Comey comandou o FBI entre setembro de 2013, assumindo durante o governo Barack Obama, e maio de 2017, quando foi demitido por Trump após entrar em confronto com o presidente sobre a investigação do suposto complô entre agentes russos e a membros da campanha do republicano durante as eleições de 2016.

Comey redigiu os documentos antes de sua demissão, que levou à nomeação do procurador especial Robert Mueller para a continuação da investigação. Grande parte do conteúdo dos memorandos foi incluída no livro de Comey "A Higher Loyalty: Truth, Lies and Leadership", publicado nesta semana, no qual compara o líder republicano a um chefe mafioso que enfatiza a lealdade pessoal em detrimento da lei e tem pouca consideração pela moralidade ou pela verdade.

A Rússia nega qualquer intromissão na eleição; Trump diz que não houve complô e que o inquérito do FBI é uma "caça às bruxas".

Complô com a Rússia

Os memorandos abordam também as conversas de Trump sobre a investigação do FBI sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016, incluindo a ligação de agentes russos com membros da campanha do republicano, incluindo Michael Flynn.

Os documentos incluem notas sobre uma reunião na Trump Tower em Nova York em janeiro de 2017, pouco antes da posse de Trump, na qual Comey conversou a sós com o então presidente eleito sobre um dossiê que detalhou um suposto encontro envolvendo Trump e prostitutas em Moscou em 2013.

Os memorandos também descrevem um jantar de Comey e Trump na Casa Branca cerca de uma semana depois da posse durante o qual o ex-diretor disse que Trump pediu sua lealdade.

Memorandos comprovam que não houve complô, diz Trump

Trump respondeu à divulgação dos memorandos afirmando que eles corroboram sua alegação de que não houve complô entre Rússia e a campanha.

"Os memorandos de James Comey acabaram de sair e mostram claramente que não houve conluio e não houve obstrução [de Justiça, por parte de Trump]. Além disso, ele vazou informação confidencial. Será que a caça às bruxas continuará?", escreveu o presidente no Twitter. (Com agências internacionais)

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