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Por que o vulcão da Guatemala matou dezenas de pessoas, e o do Havaí não

Getty Images
Erupção do vulcão Kilauea, no Havaí Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

05/06/2018 18h15

Dois vulcões entraram em erupção nas últimas semanas em países diferentes, ganhando os noticiários com imagens impressionantes de fumaça negra subindo aos céus e lavas escorrendo pelas ruas.

O primeiro deles a romper, o Kilauea, no Havaí, causou principalmente danos materiais ao arquipélago norte-americano. O segundo, o Vulcão de Fogo, matou no domingo (3) mais de 65 pessoas na Guatemala. 

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Especialistas que falaram sobre a questão na mídia internacional explicaram as diferenças entre os vulcões guatemalteco e havaiano, que fazem com que um seja tão mais mortífero que o outro. São questões relacionadas a particularidades de cada erupção, mas também à demografia das regiões em que o fenômeno ocorreu.

Entenda melhor cada ponto:

AFP
Imagens da destruição após a erupção do vulcão na Guatemala Imagem: AFP

Diferenças na erupção

As imagens do desastre deste domingo são visivelmente diferentes das divulgadas durante a erupção do Kilauea - que acontece de forma intermitente desde 3 de maio.

O Vulcão de Fogo fez subir sobre a aldeia El Rodeo uma nuvem de cinzas e gás, em contraste à lava que escorreu lentamente do Kilauea.

Segundo explicou a revista National  Geographic, o Kilauea é um exemplo do que a ciência chama de vulcão em escudo. O nome é dado devido ao formato desse tipo de estrutura geológica. São formações constituídas basicamente por fluxos de lava que escorrem das fissuras do vulcão e do subsolo dos arredores. Essa lava, de baixa viscosidade, escorre com facilidade a centenas de metros por hora.

Já o Fogo é um estratovulcão, propenso a expelir fluxos ferozes de um magma quente e espesso, composto de cinzas, rochas e gases. Justamente por ser mais espesso, o magma prende o ar, gerando pressão o suficiente para uma grande explosão. 

A avalanche resultante, chamada de fluxo piroclástico, corre a centenas de quilômetros por hora, pegando desprevenida uma população sem tempo hábil para fugir - o que explica o grande número de mortos. Os estratovulcões têm formato de cone e são formados pelas camadas (por isso o nome, "estrato") de lavas expelidas ao longo de muitos anos. 

Soma-se ao perigo do fluxo piroclástico as chuvas constantes que caem sobre o território tropical da Guatemala, que fazem com que rios varram os escombros deixados pelo vulcão. 

Outro exemplo de um estratovulcão é o Vesúvio, localizado no sul da Itália, que em 79 d.C. produziu uma coluna de gás e cinzas de 20 km, destruindo a cidade de Pompeia e dizimando sua população

Diferenças na demografia

Segundo explicou Ivan Cabrera, meteorologista da CNN, o Kilauea está no interior de um parque nacional no Havaí - ou seja, não há uma densidade populacional expressiva nas proximidades. A erupção do vulcão causou a destruição de dezenas de casas de comunidades próximas e a morte de uma pessoa, atingida por uma rocha.

O Vulcão de Fogo, por sua vez, está localizado numa área bem mais densa. A vila de El Rodeo, uma das atingidas pelo fluxo piroclástico, fica bem ao pé da estrutura geológica. "Eles não tiveram tempo para escapar", reforçou Cabrera. 

Segundo o governo da Guatemala, ao todo, mais de 1,7 milhão de pessoas foram afetadas pela erupção, incluindo os moradores de El Rodeo, cuja população é de 14 mil habitantes, e outras áreas próximas.